Para marcar o Dia Internacional da Biodiversidade,
ativistas do Greenpeace fecharam a entrada da sede da Cargill na
Europa, no Reino Unido, e uma fábrica da Sun Valley de propriedade
da empresa, na França, para protestar contra o que a organização
considera um dos maiores crimes ambientais da atualidade,
patrocinado pela norte-americana Cargill.
A maior companhia comercializadora de commodities do mundo
promove a destruição da floresta amazônica para o plantio de soja,
que depois é exportada para a Europa para alimentar frango e gado,
vendidos em supermercados e redes de fast-food na Europa e em
outras partes do mundo.
Ativistas do Greenpeace despejaram cerca de quatro toneladas de
grãos de soja na entrada da sede da Cargill na Europa, que fica no
Surrey, no Reino Unido, local onde a empresa organiza o desembarque
na Europa de centenas de milhares de toneladas de soja provenientes
da Amazônia. Vários ativistas se acorrentaram no portão de entrada
do prédio da companhia, impedindo que cerca de 300 empregados
entrassem no escritório.
Na França, em Orleans, os ativistas fecharam uma fábrica da Sun
Valley, de propriedade da Cargill, que produz frango para
supermercados e redes de fast-food em toda a Europa. Todas as
semanas, os milhares de frangos da Sun Valley são alimentados com
soja proveniente da Amazônia.
"A maioria das pessoas pode nunca ter ouvido falar
da Cargill, mas ela é responsável por uma das piores tragédias
ambientais do nosso tempo. A Amazônia é uma das regiões de maior
biodiversidade do planeta. A Cargill está sucateando a principal
floresta tropical do mundo, plantando soja para alimentar animais,
que depois serão comercializados por supermercados e fast-food",
afirmou o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace Alemanha,
Thomas Henningsen.
Os protestos de hoje são continuação das manifestações do
Greenpeace que se iniciaram na semana passada, em Santarém. Na
última sexta-feira, o Greenpeace bloqueou o porto da Cargill na
cidade, impedindo o descarregamento de soja amazônica por cerca de
três horas e meia.
Funcionários da empresa e produtores de soja locais reagiram com
violência à manifestação pacífica no porto ilegal da empresa. A
soja, que é exportada para a Europa como alimento animal, é
cultivada em áreas desmatadas da Floresta Amazônica.
A soja é hoje uma das causas principais do desmatamento da
Amazônia brasileira. No total, uma área estimada em 1,2 milhão de
hectare do que costumava ser floresta já foi - em sua maior parte
ilegalmente - destruída para o cultivo de grãos de soja. Os
sojeiros também estão envolvidos em atividades ilegais como
apropriação de terra e escravidão.
Recentes investigações do Greenpeace reunidas no relatório
"Comendo a Amazônia" mostram que o porto da Cargill não é apenas
ilegal, como também está sendo responsável por levar soja de
desmatamento ilegal para o mercado mundial. Eles operam 13 silos no
bioma Amazônico - mais que qualquer outra companhia.
O Greenpeace exige que a Cargill e seus clientes na indústria
alimentícia garantam que a soja que eles compram para alimentação
animal não contribua para a destruição da Amazônia e que nenhum dos
produtos da soja deles seja geneticamente modificado.