Ativista do Greenpeace bota a boca no trompete para acordar alguns governos de países desenvolvidos que ainda não entenderam a urgência que o momento exige para se combater as mudanças climáticas.
Em vez de trabalharem para agir concretamente contra o
aquecimento global, países como Estados Unidos, Japão, Austrália e
Canadá prefiriram manobrar politicamente para manter tudo como está
durante a 28a. Reunião dos Grupos Subsidiários da Convenção
da ONU sobre Mudanças Climáticas, que foi realizada em
Bonn.
Clique aqui para ler o briefing preparado pelo
Greenpeace sobre o encontro.
A estratégia dos países desenvolvidos comprometeu seriamente o
estabelecimento das bases para um compromisso global a ser acordado
até dezembro de 2009, conforme o previsto na reunião de Bali,
realizada no final do ano passado. Estamos agora a apenas18 meses do prazo final. As próximas conversações estão marcadas paracomeçar em 21 de agosto em Ghana, na África.
Conheçadetalhes sobre o Protocolo de Kyoto e o
Mandato de Bali, com o be-a-bádo que o mundo precisa fazer para
combater as mudanças climáticas.
"Os Estados Unidos, Canadá, Japãoe Austrália usaram suas velhas
e conhecidas táticas durante as discussões emBonn, sobrecarregando
as negociações e inserindo impedimentos técnicos a todomomento",
afirma Stephanie Tunmore, coordenadora da campanha de clima e
energiado Greenpeace Internacional.
"Propostas concretas são extremamentenecessárias nesta fase das
negociações. Foi bom ver países como a China, Índia,México e
Noruega avançando na discussão, com a clara intenção de realmente
progredir nas negociações. A participação da União Européia, por outro lado,foi decepcionante, nada concreto foi apresentado", disse Stephanie.
Alguns governos retomaram questões que foram encerradas durante as negociaçõesde Kyoto, há uma década. Os Estados Unidos e França, por exemplo, voltaram afalar sobre energia nuclear no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo(MDL). Também voltaram ao debate os créditos de emissões para florestasplantadas e ausência de sanções para quem não atingir as metas do protocolo deKyoto.
"Entraves resolvidos há uma década foram trazidos de volta porpaíses interessados em embaralhar as discussões para esconder a ausência de umapolítica interna efetiva", disse Stephanie.
Outra discussão que voltou à pauta foi a energia nuclear.
"Essa é uma discussãosem sentido, já que as usinas nucleares não contribuem para os países atingiremos níveis de redução de emissões necessários até 2020, além de todos os demaismotivos pelos quais esse tipo de energia é desnecessário", afirmou Stephanie.
Muitos governos estão preocupados com a lentidão do processo, especialmenteaqueles menos desenvolvidos e mais vulneráveis às mudanças climáticas, poissabem que o aquecimento global pode comprometer seriamente seu sustento, suasmoradias e em muitos casos, suas próprias vidas, caso ações imediatas não sejamtomadas.
Enquanto isso, o Brasil demonstrou habilidade e firmeza para bloquear a tentativa de paísescomo a Arábia Saudita de abrir a porta do mecanismo de desenvolvimento limpopara projetos de captura e armazenamento de carbono.
"No entanto, a delegação brasileira aindatem muito trabalho a fazer nas próximas reuniões. As negociações sobre reduçãode emissões via desmatamento e degradação estão apenas começando e é no setorflorestal que está a grande contribuição do País para o problema das mudançasclimáticas", afirmou Luis Piva, coordenadorda campanha de clima do Greenpeace Brasil.
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