O Greenpeace iniciou hoje a distribuição oficial de um guia
prático sobre certificação florestal (1) para madeireiros que atuam
na Amazônia Brasileira. O material faz parte da campanha para
promover a adoção de práticas sustentáveis na região, onde muitos
empresários e profissionais do setor madeireiro têm dificuldades
para aperfeiçoar suas operações por falta de conhecimento e
informações (2).
Desde 1994, o Greenpeace vem atuando na Amazônia contra a
madeira de origem ilegal e a exploração predatória, resultado de
desmatamentos e Planos de Manejo Florestal (PMFs) legalmente
autorizados que, na prática, não promovem o uso responsável dos
recursos naturais. O Greenpeace vê a certificação florestal como
uma ferramenta para mudar esta realidade, aliando a conservação dos
remanescentes florestais com atividades econômicas ambientalmente
sustentáveis.
O guia trata do FSC, sigla em inglês do Conselho de Manejo
Florestal (Forest Stewardship Council) - um sistema de certificação
independente integrado por representantes de empresas madeireiras,
organizações ambientalistas e do setor social. Os princípios e
critérios do FSC vêm sendo longamente discutidos no Brasil e, em
2001, o FSC reconheceu os padrões de manejo para floresta de terra
firme na Amazônia. Sediado em Brasília, o FSC atua no País desde
1994.
Mundialmente reconhecido, o FSC é o único sistema de
certificação amplamente apoiado por produtores, consumidores,
entidades ambientalistas, comunidades e trabalhadores, por atender
a padrões nacionais e internacionais de manejo florestal e por
incorporar de forma equilibrada os interesses de grupos sociais,
econômicos e ambientais.
A certificação é, atualmente, a melhor forma de atestar que o
manejo de florestas nativas ou plantações é realizado de maneira
eficaz, ambientalmente adequada, transparente e economicamente
viável. O selo FSC - também conhecido como selo verde - assegura
transparência em todo o processo, desde a extração da madeira na
floresta, passando pelo processamento na indústria até chegar ao
consumidor final. Funciona como uma garantia de que uma série de
medidas de conservação e precaução foi adotada - tais como respeito
ao meio ambiente e aos direitos de trabalhadores, povos indígenas,
comunitários e ribeirinhos.
"Este guia é uma introdução ao mundo da certificação florestal.
Com ele, o responsável pelo manejo de florestas poderá adquirir
noções básicas sobre o que é a certificação e o FSC, como e quem
pode obtê-la, as vantagens e os investimentos necessários, além de
ter acesso a inúmeras fontes de informação e endereços", explica
Marcelo Marquesini, engenheiro florestal da campanha da Amazônia do
Greenpeace. "Atualmente, o FSC é o sistema mais coerente do ponto
de vista sócioambiental e, por isso, é apoiado pelo
Greenpeace".
Apesar da certificação do FSC existir há aproximadamente dez
anos e o Brasil já possuir mais de 1,2 milhão de hectares de
florestas certificadas, os madeireiros na Amazônia carecem de
informações. "O guia está sendo distribuído a todas as empresas
madeireiras que operam na Amazônia Legal, porque acreditamos que
empresários bem informados podem fazer a diferença", conclui
Marquesini.
(1) O Guia sobre Certificação Florestal pelo FSC
elaborado pelo Greenpeace está disponível para download. Também
pode ser obtido via fax: (92) 627.9004
(2) Veja íntegra da carta enviada pelo Greenpeace aos madeireiros
que operam na Amazônia Brasileira no site do Greenpeace.