Notícia - 5 - abr - 2000
Coca-Cola e McDonald´s usam gases estufa HFCs em seus sistemas de refrigeração
O Greenpeace revelou hoje que dois dos maiores patrocinadores
oficiais dos Jogos Olímpicos de Sydney - McDonald's e Coca-Cola -
estão minando as regras ambientais dos primeiros Jogos Olímpicos
Verdes da história. Em um relatório publicado hoje - "Green
Olympics, Dirty Sponsors: How McDonald´s and Coca-Cola´s global HFC
pollution is undermining the world´s first Green Games at the
Sydney Olympics" - a entidade ambientalista diz que as duas
empresas estão sujando os jogos ao usar HFCs (gases refrigerantes
que elevam o aquecimento global) em seus sistemas de refrigeração
nas instalações olímpicas.
"Em 1992, quando a cidade de Sydney foi escolhida para sediar os
Jogos Olímpicos de 2000, houve o compromisso de que estas seriam as
primeiras Olimpíadas Verdes da história", lembra Corin Millais, do
Greenpeace Australia. "Com este objetivo, houve o compromisso de se
eliminar o uso de HFCs do local dos jogos. Ainda assim, os
patrocinadores oficias Coca-Cola e McDinald's resolveram contrariar
as regras oficiais e decidiram usar os gases-estufa HFCs nos seus
sistemas de refrigeração."
Os HFCs são um dos gases-estufa mais potentes já inventados.
Eles são fabricados pelas mesmas companhias que desenvolveram os
CFCs. Em uma média de 20 anos, uma tonelada de HFCs causa 3.300
vezes mais mudança climática do que a mesma quantidade de dióxido
de carbono.
"Existem alternativas ao uso de HFCs já disponíveis no mercado e
largamente em uso na Europa e na China, como a tecnologia
greenfreeze, que usa gases naturais" (1), diz Délcio Rodrigues,
Diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil. "Estas empresas podem
adotar práticas verdes se realmente se decidirem por isto. Ao
preferir usar um sistema de refrigeração à base de HFC e ignorar
alternativas disponíveis no mercado, as companhias contribuirão
diretamente para a mudança global do clima - uma das ameaças
ambientais as mais sérias que enfrentamos hoje".
(1) A tecnologia Greenfreeze foi desenvolvida em 1992 pelo
Greenpeace, em associação com o Instituto de Saúde Pública de
Dortmund (Alemanha). A tecnologia é de livre acesso e as
substancias utilizadas não são patenteáveis.