Notícia - 28 - jun - 2000

O Greenpeace e outras ONGs fizeram hoje uma manifestação em
frente ao prédio do Ministério da Ciência e Tecnologia, onde a
Comissão Técnica de Biossegurança (CTN-Bio) está reunida para
divulgar um parecer técnico sobre a importação de milho
transgênico. Ativistas da entidade ambientalista vestiram-se de
mestre-cuca e seguraram pratos com a frase "Não aos transgênicos!",
além de segurar cartazes pedindo transparência nas decisões da
Comissão.
"A CTN-Bio tem de respeitar a decisão judicial da 6ª Vara
Federal de Brasília que, na última terça-feira (27/06), deu ganho
de causa a processo que impetramos juntamente com o Instituto de
Defesa do Consumidor (Idec) e que proíbe a comercialização da soja
transgênica da empresa Monsanto", diz Mariana Paoli, Coordenadora
da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. "A decisão do
juiz Antônio Prudente também impede a CTN-Bio de emitir novos
pareceres técnicos para a liberação de espécies geneticamente
modificadas antes da realização de estudo prévio de impacto
ambiental."
Nas últimas semanas, a questão dos organismos geneticamente
modificados tem assumido uma grande importância no debate sobre
segurança alimentar no Brasil. Principalmente depois que o
Greenpeace e o Idec divulgaram análises de laboratório que
comprovaram a venda no Brasil de produtos contaminados por
transgênicos, entre eles lotes de batatas Pringles, leite Nestogeno
e sopa Knorr. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária notificou
supermercados e drogarias a retirar de suas prateleiras os produtos
indicados pelas duas entidades.
"A atuação da Vigilância Nacional mostra que a
preocupação com a saúde dos consumidores e com a proteção do meio
ambiente devem estar em primeiro lugar, diz Mariana Paoli. "Os
brasileiros estão consumindo transgênicos sem ser informados ou
sequer consultados. Por isto, os fabricantes, importadores e
distribuidores de alimentos devem imediatamente retirar das
prateleiras estes produtos que oferecem riscos e são
comprovadamente ilegais. Os supermercados, por sua vez, devem
passar a exigir dos fabricantes e distribuidores comprovação da não
contaminação por transgênicos antes de colocar quaisquer produtos a
venda."