Ativistas do Greenpeace entregaram hoje no Ministério das
Relações Exteriores petições assinadas por mais de 77 mil por
brasileiros, com um pedido para o presidente Lula assumir metas
concretas contra o aquecimento global antes da 15ª Conferência do
Clima da ONU, que será realizada em dezembro, em Copenhague. O
Ministério das Relações Exteriores é quem representa o país nas
negociações internacionais de clima.
Veja a galeria de fotos:
Oito ativistas montaram um painel de 15 metros de extensão no
lago do Palácio Itamaraty. Nele foram expostas 108 folhas da
petição em tamanho grande, cada uma com a bandeira do estado de
origem de seus signatários, simbolizando o alcance nacional das
assinaturas. Dois ativistas seguravam pilhas com as petições reais,
enquanto os outros exibiam faixas com a mensagem "Lula, não estamos
pedindo muito. É só salvar o planeta". As petições foram recebidas
pelo conselheiro do Itamaraty, André Odenbreit.
"Este pedido é essencial para garantir o futuro desta geração e
das próximas" disse Gabriela Vuolo, coordenadora de mobilização da
campanha de clima do Greenpeace. "Durante todo o ano, o Greenpeace
esteve nas ruas para mostrar para a população como o Brasil pode
lidar com as mudanças do clima. Agora chegou a hora do presidente
escutar as vozes dos milhares de brasileiros preocupados com o
planeta. Ele tem a caneta e o apoio popular para tomar as decisões
necessárias."
O primeiro passo a ser dado pelo presidente é zerar o
desmatamento da Amazônia até 2015. A ideia apresentada até agora
pelo governo federal de redução de 80% do desmatamento até 2020 é
fraca para lidar com o desafio das mudanças climáticas. Se
implantada, significará que, ao longo da próxima década, o país
deixará que entre 1,5 bilhão e 1,8 bilhão de árvores sejam
derrubadas na Amazônia.
Nas últimas semanas, diversos setores do governo federal têm se
reunido para elaborar a proposta que o Brasil levará para
Copenhague. "Até agora, o único número apresentado é insuficiente.
O Greenpeace espera que o governo brasileiro apresente metas para
outros setores da economia, não só sobre floresta", afirmou João
Talocchi, coordenador da campanha de clima do Greenpeace. "Também é
preciso mostrar como essas metas serão cumpridas. A mudança do
código florestal e a redução do desmatamento em 80%, por exemplo,
são incompatíveis."
Outro ponto da petição coletada pelo Greenpeace demanda que pelo
menos 25% da eletricidade do país seja gerada a partir de fontes
renováveis de energia, como vento, sol, biomassa e pequenas
centrais hidrelétricas até 2020. O investimento nesta área criaria
300 mil novos empregos diretos no país nesse período, e 600 mil até
2030.
Além disso, a petição também exige que pelo menos 30% do
território costeiro-marinho do Brasil seja transformado em áreas
protegidas até 2020. Os oceanos são importantes reguladores
climáticos, pois absorvem o CO2 - principal gás do efeito estufa -
da atmosfera. Mantê-los saudáveis é essencial para garantir a
manutenção desse serviço ambiental.
A petição faz parte da campanha de clima do Greenpeace e
circulou desde o começo deste ano. A coleta de assinaturas começou
em janeiro, durante a passagem do navio Arctic Sunrise pelo Brasil
e continuou nas atividades de rua, escolas e também via internet
até meados de outubro.
Todas as 77.243 pessoas que assinaram a petição foram informadas
sobre a urgência das mudanças do clima e a importância da adoção de
metas de redução de gases do efeito estufa.