Greenpeace exige abertura de arquivos da Abin

Notícia - 6 - dez - 2000
Organização ambientalista entra com pedido de "habeas data" na Justiça para que Agência Brasileira de Inteligência disponibize informações sobre a entidade

O Greenpeace vai entrar na justiça com um pedido de "habeas data" para que sejam disponibilizados os registros que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem de suas investigações sobre a organização. A decisão foi tomada depois que matérias publicada nos jornais O Globo e Folha de São Paulo deram conta de que o Greenpeace é um dos alvos de investigação da Abin. Segundo as informações divulgadas, ONGs como o Greenpeace e a American Watch devem ser acompanhadas por terem influência na segurança nacional. A declaração foi obtida durante o depoimento, esta semana, do ex-diretor geral da Agência, coronel Ariel Rocha De Cunto, ao Ministério Público Federal.

Muitas nações mantêm serviços de informação e inteligência - instrumento que deve servir à população, e não a um ou outro governo. Por exemplo, quando da união das duas Alemanhas, o governo fez públicos os arquivos da STASI, polícia secreta da Alemanha Oriental, às vítimas daqueles "arapongas". O Greenpeace quer a disponibilização das informações coletadas pelos agentes da Abin.

O Greenpeace lamenta que recursos públicos estejam sendo gastos para a obtenção de informações que são públicas e que a entidade teria o máximo prazer de esclarecer em contato direto. Nossa organização trabalha de maneira aberta para o público e com financiamento de cidadãos interessados na preservação do Planeta. "A Abin tem, a qualquer momento, acesso a tudo o quiser saber - basta telefonar para 0800 11 25 10 ou através do nosso web site (www.greenpeace.org.br)", afirmou Roberto Kishinami, diretor executivo do Greenpeace no Brasil. "Os recursos gastos para obter este tipo de informação seriam melhor empregados na investigação das diversas denúncias que temos feito sobre contaminação industrial, comercialização ilegal de alimentos transgênicos e exploração destrutiva da floresta Amazônica", continuou Kishinami.

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