Notícia - 20 - ago - 2006
O Greenpeace Internacional lançou hoje um alerta sobre a necessidade de uma proibição global às importações de arroz norte-americano para evitar que o público coma variedades ilegais, não testadas e não autorizadas de arroz transgênico
O arroz Liberty Link (LL) 602, produzido pela multinacional
alemã Bayer e que não possuía autorização para venda, estava sendo
comercializado nos EUA. O arroz LL 602 não foi aprovado para
consumo ou cultivo em nenhum lugar do mundo. "O arroz é a base da
dieta de milhões de pessoas e a contaminação dos estoques desse
alimento pela Bayer, que é uma empresa que têm forçado o arroz
transgênico em todo o mundo, precisa ser interrompida", disse
Jeremy Tager, coordenador da campanha de Engenharia Genética do
Greenpeace Internacional.
O Japão já anunciou a proibição das importações de arroz
norte-americano como resultado deste novo escândalo de
contaminação. No ano passado, o Japão e a União Européia já tinham
banido as importações de milho dos EUA em resposta a outro
escândalo.
"Este novo caso de contaminação mostra, mais uma vez, que a
indústria de transgênicos é absolutamente incapaz de controlar os
organismos geneticamente modificados. Países que importam arroz dos
EUA, como a União Européia, o Brasil e o Canadá devem encarar de
maneira séria as medidas para prevenir esse tipo de ameaça à nossa
alimentação", afirmou Gabriela Vuolo, da campanha de engenharia
genética do Greenpeace Brasil.
O Brasil é o 9º produtor mundial de arroz, colhendo cerca de 12
milhões de toneladas por ano. No entanto, essa produção corresponde
a apenas 87% da demanda nacional, obrigando o País a importar mais
de 800 mil toneladas por ano. Além disso, a Bayer já solicitou
autorização para a comercialização de uma variedade de arroz
Liberty Link no Brasil, mas ainda está aguardando o parecer da
CTNBio.
"É preciso banir todas as importações de arroz transgênico,
retirar os alimentos contaminados das prateleiras dos supermercados
e rejeitar os pedidos de liberação comercial de arroz geneticamente
modificado", disse Tager. "As autoridades responsáveis nos países
importadores também precisam investigar a contaminação causada pela
Bayer e determinar se outras variedades de arroz testadas pela
empresa contaminaram o mercado mundial de alimentos", concluiu.