Notícia - 2 - abr - 2003
Organização acusa empresa, seus diretores e autoridades públicas como responsáveis por um dos piores acidentes ecológicos dos últimos anos
O Greenpeace vem a público demonstrar a sua indignação e revolta
para mais esse caso de omissão criminosa, descaso e
irresponsabilidade que resultou no rompimento de um dos
reservatórios de depósito químico da empresa Cataguases Papel
Ltda., ocorrido no último sábado (29/03). O rompimento do depósito
resultou no vazamento de uma mistura tóxica que contaminou o Rio
Pomba, principal fonte de abastecimento de água do estado do Rio de
Janeiro. Entre os componentes da mistura, estão substâncias com
resíduos tóxicos de soda cáustica, e metais como o chumbo.
Acredita-se que entre 1,2 e 1,6 bilhões de litros de resíduos
tenham vazado do reservatório. Milhares de pessoas em diversas
cidades ficaram sem água em decorrência do desastre. Peixes e
animais, inclusive animais domésticos, morreram devido à
contaminação.
O Greenpeace acusa a empresa Cataguases como a principal
responsável pelos danos atuais e futuros causados ao meio ambiente
e à saúde humana. Mais uma vez se repete a negligência, como já
denunciamos inúmeras vezes, de empresas, que deixam de cumprir suas
obrigações com a sociedade. A Cataguases é um exemplo típico, em
que a falta de inspeção e manutenção do reservatório e a omissão em
buscar uma solução para o problema que causou o rompimento,
resultaram no atual desastre. Os diretores e/ou representantes
legais da empresa tem de responder criminalmente pela contaminação
que a empresa causou e ainda pode vir a causar. O Greenpeace também
co-responsabiliza o governo de Minas Gerais e seus órgãos públicos
pelo desastre, já que ambos falharam em implementar as medidas de
fiscalização adequadas.
O caso da empresa Cataguases é gravíssimo e requer punições
exemplares para que se interrompa definitivamente em nosso país, o
descaso e impunidade de empresas irresponsáveis que destroem o meio
ambiente e comprometem à saúde da população. Outros casos já foram
denunciados pelo Greenpeace sem que as autoridades competentes
tomassem as devidas providências. Em junho de 2002, o Greenpeace
lançou o relatório "Crimes Ambientais Corporativos no Brasil" (1).
Esse relatório apresenta 17 casos de contaminação em todo o
território nacional. Infelizmente, até o momento, nenhum dos casos
apresentados foi devidamente solucionado.
O Greenpeace luta para que todos esses casos sejam solucionados,
inclusive o recente desastre no Rio Pomba. As empresas devem pagar
pelos danos que causam ao meio ambiente e à saúde humana, e isso
deve ocorrer também nesse caso recente. O Greenpeace acredita que
casos como o desastre de Cataguases, ou outros citados no relatório
poderiam ser evitados se as leis ambientais fossem efetivamente
cumpridas, se os órgãos fiscalizadores agissem com maior eficiência
e, ainda, se os Princípios de Bhopal sobre Responsabilidade
Corporativa fossem implementados.
Nota:
(1) Confira no relatório
"Crimes Ambientais Corporativos no Brasil", e conheça os
Princípios de Bhopal e os 17 casos de contaminação em nosso
país.