
O Greenpeace inicia hoje, na capital paulista, o recolhimento de
amostras de poeira em 60 casas nos Estados de São Paulo, Rio de
Janeiro e Rio Grande do Sul, para a campanha Veneno Doméstico. Mais
de 300 inscrições foram realizadas pela internet e telefone entre
os dias 22 e 31 de outubro, por pessoas que ofereceram suas
residências voluntariamente. O pó recolhido será enviado ao
laboratório holandês TNO para análise das substâncias químicas - um
dos poucos adequados e preparados para a tarefa no mundo. A coleta
nas casas selecionadas será realizada entre 13 de novembro e 4 de
dezembro.
O objetivo da campanha é, no primeiro momento, detectar a
presença de elementos tóxicos nocivos para a saúde e o meio
ambiente na poeira doméstica. Com isso, o Greenpeace pretende
chamar a atenção da população para o fato de que substâncias
tóxicas utilizadas na fabricação de tapetes, televisores,
brinquedos e cosméticos podem estar contaminando as pessoas dentro
de suas próprias casas.
Na Europa (1), o Greenpeace coletou amostras de poeira doméstica
em residências do Reino Unido, França, Espanha, Dinamarca, Suécia e
Finlândia, e a análise do material, realizada por laboratórios
independentes, revelou quantidades significativas de diversas
substâncias tóxicas.
"Essas substâncias podem causar disfunções nos sistemas
reprodutor e imunológico, sendo que algumas são potencialmente
cancerígenas", afirma John Butcher, coordenador da Campanha de
Substâncias Tóxicas do Greenpeace.
O Greenpeace quer que alguns princípios e diretrizes sejam
incorporados na futura política nacional de segurança química que
está sendo atualmente discutida. A demanda da organização é que ela
incorpore os Princípios da Substituição (banir as substâncias
tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas), da
Precaução (na dúvida sobre o risco de determinada substância, ela
não deve ser desenvolvida ou usada) e o conceito do Direito à
Informação (todos nós temos o direito de saber o que contêm
realmente o produto que compramos, e quais os riscos reais ou
potenciais das substâncias utilizadas). "Somente com uma legislação
rígida, aliada a programas de incentivo, mais a aplicação de
mecanismos de fiscalização, será possível evitar que estejamos
expostos a substâncias tóxicas diariamente", diz John Butcher.
Outra demanda do Greenpeace é para que o Congresso Nacional
ratifique ainda este ano a Convenção de Estocolmo, tratado
internacional que estipula o banimento inicial de 12 substâncias
tóxicas, os "12 sujos". A ratificação é o ato de transformar em lei
o texto dessa convenção. O Greenpeace está disponibilizando esta
semana uma ciberação, pela qual os internautas poderão enviar uma
mensagem a diversos senadores, solicitando a rápida ratificação da
convenção (www.greenpeace.org.br/venenodomestico).
(1) Confira o relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house
dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre a
campanha na Europa. Confira também a versão em português do sumário executivo do relatório.