Greenpeace inicia coleta de poeira para a Campanha Veneno Doméstico em São Paulo

Notícia - 13 - nov - 2003
Com a Campanha Veneno Doméstico, a organização pretende num primeiro momento levantar os tipos de substâncias tóxicas presentes nas residências e também nos ambientes de trabalho

O Greenpeace inicia hoje, na capital paulista, o recolhimento de amostras de poeira em 60 casas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, para a campanha Veneno Doméstico. Mais de 300 inscrições foram realizadas pela internet e telefone entre os dias 22 e 31 de outubro, por pessoas que ofereceram suas residências voluntariamente. O pó recolhido será enviado ao laboratório holandês TNO para análise das substâncias químicas - um dos poucos adequados e preparados para a tarefa no mundo. A coleta nas casas selecionadas será realizada entre 13 de novembro e 4 de dezembro.

O objetivo da campanha é, no primeiro momento, detectar a presença de elementos tóxicos nocivos para a saúde e o meio ambiente na poeira doméstica. Com isso, o Greenpeace pretende chamar a atenção da população para o fato de que substâncias tóxicas utilizadas na fabricação de tapetes, televisores, brinquedos e cosméticos podem estar contaminando as pessoas dentro de suas próprias casas.

Na Europa (1), o Greenpeace coletou amostras de poeira doméstica em residências do Reino Unido, França, Espanha, Dinamarca, Suécia e Finlândia, e a análise do material, realizada por laboratórios independentes, revelou quantidades significativas de diversas substâncias tóxicas.

"Essas substâncias podem causar disfunções nos sistemas reprodutor e imunológico, sendo que algumas são potencialmente cancerígenas", afirma John Butcher, coordenador da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace.

O Greenpeace quer que alguns princípios e diretrizes sejam incorporados na futura política nacional de segurança química que está sendo atualmente discutida. A demanda da organização é que ela incorpore os Princípios da Substituição (banir as substâncias tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas), da Precaução (na dúvida sobre o risco de determinada substância, ela não deve ser desenvolvida ou usada) e o conceito do Direito à Informação (todos nós temos o direito de saber o que contêm realmente o produto que compramos, e quais os riscos reais ou potenciais das substâncias utilizadas). "Somente com uma legislação rígida, aliada a programas de incentivo, mais a aplicação de mecanismos de fiscalização, será possível evitar que estejamos expostos a substâncias tóxicas diariamente", diz John Butcher.

Outra demanda do Greenpeace é para que o Congresso Nacional ratifique ainda este ano a Convenção de Estocolmo, tratado internacional que estipula o banimento inicial de 12 substâncias tóxicas, os "12 sujos". A ratificação é o ato de transformar em lei o texto dessa convenção. O Greenpeace está disponibilizando esta semana uma ciberação, pela qual os internautas poderão enviar uma mensagem a diversos senadores, solicitando a rápida ratificação da convenção (www.greenpeace.org.br/venenodomestico).

(1) Confira o relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre a campanha na Europa. Confira também a versão em português do sumário executivo do relatório.

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