Atualizada em 16-01-2006
No dia 12 de janeiro, ativistas do Greenpeace interceptaram e
entraram no porta-aviões francês Clemenceau, a 50 milhas náuticas
da costa do Egito, impedindo pela segunda vez o prosseguimento de
sua viagem com destino à Índia, onde será encaminhado para
desmonte. Dois ativistas do Greenpeace conseguiram embarcar no
navio, subir em um de seus mastros e exibir uma faixa com os
dizeres "Carregado de amianto: fique longe da Índia."
O navio contém altos níveis de substâncias tóxicas como amianto,
chumbo e metais pesados, caracterizando, assim, transporte ilegal
de lixo tóxico, proibido pela Convenção da Basiléia, tratado
internacional contra o comércio e transporte de substâncias
perigosas. O Greenpeace pediu às autoridades egípcias que negassem
permissão ao Clemenceau para cruzar o Canal de Suez e prosseguir
viagem, respeitando os princípios da Convenção, da qual o Egito é
signatário. O governo egípcio solicitou ao navio os certificados
exigidos pela Convenção, mas liberou sua passagem durante o último
fim de semana.
A Suprema Corte da Índia impediu a
entrada do navio em suas águas até que as autoridades francesas
apresentem documentos comprovando que o Clemenceau não está
quebrando uma lei internacional.
O Clemenceau vem sendo motivo de intenso debate internacional. O
comitê de monitoramento da Suprema Corte da Índia já se pronunciou
contra a chegada do navio no país, que caracterizou como uma
violação da Convenção de Basiléia. No entanto, o governo francês se
nega a reconsiderar sua decisão de enviar o porta-aviões
contaminado com centenas de toneladas de substâncias tóxicas.
O destino final do navio seria a usina de desmonte de Alang, na
Índia. "O Clemenceau representa uma ameaça ao meio ambiente da
Índia e aos trabalhadores da usina de desmonte que entrarão em
contato com todo esse material tóxico, sem a devida proteção",
afirmou Jacob Hartmann, ativista a bordo do navio do Greenpeace que
parou a rota do Clemenceau em águas internacionais.
"Em vez de realizar uma descontaminação segura do navio, a
França está tentando despejar todo esse resíduo contaminado sobre
algumas das pessoas mais pobres do mundo. Isso é uma atitude
absolutamente repreensível de um país que se diz uma nação
civilizada," afirmou Jim Puckett, da Basel Action Network, que atua
contra o comércio ilegal de substâncias tóxicas.
O Greenpeace exige que o governo francês leve de volta o
Clemenceau ao seu país e só libere sua saída da Europa depois de
totalmente descontaminado.