O Greenpeace lança hoje a Campanha Veneno Doméstico, com o
objetivo de detectar as substâncias tóxicas presentes dentro de
nossas casas. Na primeira fase da campanha, selecionaremos 60
residências em três Estados brasileiros: São Paulo, Rio Grande do
Sul e Rio de Janeiro, para realizarmos a coleta da poeira que será
analisada no laboratório holandês TNO - atualmente um dos mais
adequados para fazer esse trabalho. Os dias e horários das coletas
serão divulgados com antecedência.
Existem substâncias tóxicas - presentes numa série de produtos
de consumo diário - que podem causar sérios danos à nossa saúde e
ao meio ambiente. Essas substâncias estão presentes na fabricação
de carpetes, brinquedos (especialmente os que usam o PVC),
eletrodomésticos e cosméticos, entre outros.
"Num primeiro momento, a campanha pretende alertar a população e
os consumidores sobre o descontrole por parte da indústria e do
governo sobre as substâncias químicas e a contínua contaminação
tóxica ocasionada por essa situação. Temos pouco conhecimento ou
controle sobre a quantidade das substâncias químicas que se produz
e sobre sua toxicidade, o que quer dizer que estamos nos
contaminando diariamente dentro de nossas próprias casas sem
saber", afirma o coordenador da Campanha de Substâncias Tóxicas do
Greenpeace, John Butcher.
Na Europa (1), escritórios do Greenpeace coletaram amostras de
poeira doméstica em residências do Reino Unido, França, Espanha,
Dinamarca, Suécia e Finlândia. As análises da poeira, realizadas
por laboratórios independentes, revelaram quantidades
significativas de:
- alcalinofenóis: disruptores hormonais usados em cosméticos e
outros produtos de higiene pessoal;
- ésterftalatos: prejudiciais ao sistema reprodutivo, usados
para tornar o PVC maleável e presente em brinquedos, interior de
carros e cabos, perfumes, tintas e adesivos;
- substâncias químicas bromadas: prejudiciais ao sistema
hormonal, usados para retardar a propagação do fogo;
- parafinas cloradas: potencialmente cancerígenas, usadas em
tintas, plásticos e borrachas;
- compostos orgânicos à base de estanho: tóxicas para o sistema
imunológico, usados como estabilizadores em plásticos
(especialmente em PVC) e como tratamento contra mofo e poeira
(ácaros) em alguns carpetes e pisos de PVC.
Na segunda parte da campanha, o Greenpeace, com os resultados
das análises em mãos, demandará que as indústrias apliquem o que se
conhece como "Princípio da Substituição", que prevê o uso de
substâncias não tóxicas no lugar das que são consideradas perigosas
ou venenosas. Como se pode ver, o objetivo maior da organização é
promover uma mudança de atitude das empresas e dos consumidores,
provocando uma alteração em alguns sistemas de produção.
Para que tudo isso se concretize, o Greenpeace quer que o
governo federal formule e implante uma Política Nacional de
Segurança Química e que ratifique a Convenção de Estocolmo, tratado
internacional que estipula o banimento inicial de uma lista de 12
Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), ou os "12 Sujos", tidos
como as substâncias mais tóxicas atualmente.
Os interessados em colaborar com a campanha "Veneno Doméstico"
podem se inscrever até as 15h do dia 31 de outubro pelo site www.greenpeace.org.br/venenodomestico ou pelo
telefone 3035-1176. Já a coleta do material nas residências
selecionadas está prevista para o período de 3 a 14 de novembro de
2003.
(1) O relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in
house dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre
a campanha na Europa, está disponível para download. Confira também a versão em português
do sumário executivo do relatório.