
No 19º aniversário do vazamento de gás em Bhopal (Índia), pior
desastre industrial da História, o Greenpeace e a Campanha
Internacional por Justiça em Bhopal (ICJB, em inglês) fizeram um
dia de ações globais contra os crimes corporativos. Protestos em 16
países foram realizados em apoio às milhares de pessoas na cidade
que ainda sofrem as consequências do desastre, exigindo leis
internacionais que protejam a todos contra os crimes das grandes
empresas (1).
Em Bombaim, mais de 60 estudantes, voluntários e ativistas se
deitaram na calçada no centro da cidade para representar o horror
de Bhopal, cujas ruas foram tomadas por oito mil corpos nos dias
que se seguiram ao vazamento dos gases letais da fábrica de
pesticidas da Dow-Carbide. Enquanto o corpo dos manifestantes era
contornado por traços de giz, ativistas seguraram cartazes que
levavam as mensagens "Lembre-se de Bhopal" e "Dow - você tem o
sangue de Bhopal em suas mãos".
"Esse protesto é para lembrar ao mundo que a
tragédia de Bhopal está longe de acabar", disse a cientista do
Greenpeace, Ruth Stringer. "A fábrica de pesticidas abandonada
contém estoques de produtos químicos perigosos. Solventes que se
espalharam pelo solo, acabaram contaminando o lençol freático.
Muitos habitantes utilizam a água contaminada para cozinhar e
beber. Até que o local seja limpo, a saúde do povo de Bhopal
seguirá sob risco", afirmou (2).
Em Copenhaguem, ativistas do Greenpeace também contornaram os
"corpos" espalhados pelo chão com giz, em frente ao escritório da
Dow. Ao mesmo tempo, outros ativistas protestavam em frente à
Embaixada Americana na capital dinamarquesa, pedindo pela
indiciação do ex-diretor da Union Carbide Warren Anderson, que
atualmente está foragido nos EUA e é procurado pela Interpol.
Ativistas suíços entregaram uma réplica de uma estátua que fica na
parte externa do escritório da Dow em Bhopal, à sede da empresa
européia em Horgen.
Atualmente, pelo menos 150 mil pessoas, incluindo crianças
nascidas de pais atingidos pelo vazamento de gás, sofrem de
problemas de saúde decorrentes do acidente. Um estudo científico
recente, publicado pelo Journal of American Medical Association,
constatou um retardo no tempo de nascimento de garotos (3). Desde
1984, o número de mortos aumentou para mais de 20 mil, e no mínimo
30 pessoas morrem de doenças relacionadas à exposição ao gás tóxico
todo mês. A Dow Chemical, que comprou a Union Carbide em 2001,
recusa-se a aceitar a responsabilidade pela catástrofe, a
recompensar completamente as vítimas ou a limpar o local da
indústria, que ainda está contaminado com produtos químicos
perigosos.
O Greenpeace convidou pessoas em todo o mundo a
apoiarem os sobreviventes do acidente de Bhopal. Visitando o site
da organização na internet, todos podem enviar garrafas com água
contaminada de Bhopal. E aqueles que mais acessarem o link, terão
garrafas com seu nome enviadas enviadas diretamente para os
escritórios da Dow em todo o mundo, com um pedido de que Bhopal
seja limpa (4).
"No início do 20º ano lutando por justiça, nós agradecemos a
nossos colaboradores em todo o mundo pelo reconhecimento do
desastre e de suas consequências ambientais, sociais e para a saúde
humana, causadas pela recusa do governo indiano e da poluidora
Dow-Carbide em assumir as responsabilidades pendentes em Bhopal.
Nós estamos confiantes de que o próximo ano será um momento crucial
para que a Dow Chemical e o governo indiano assumam suas
responsabilidades no caso", disse Rashida Bee, uma sobrevivente do
desastre que integra a Campanha Internacional por Justiça em
Bhopal.
(1) O Greenpeace faz parte da Campanha Internacional por Justiça
em Bhopal (ICJB - International Campaign for Justice in
Bhopal).
A campanha exige que a Dow Química:
- assuma o legado deixado pela Union Carbide, uma vez que
adquiriu a empresa em 2001, e responda pela responsabilidade
criminal do acidente no caso pendente na Corte do Distrito de
Bhopal;
- providencie tratamento médico a longo prazo, monitorando e
examinando os sobreviventes do acidente e suas futuras
gerações;
- providencie uma ampla reparação dos danos ambientais, tanto
dentro como ao redor da fábrica, inclusive do lençol freático
contaminado;
- garanta imediatamente o fornecimento de água potável para as
comunidades afetadas;
- providencie oportunidades para que os sobreviventes garantam
seu sustento.
A ICJB também exige que Warren Anderson, ex-presidente da Union
Carbide, responda ao processo judicial na Índia.
(2) Cientistas do Greenpeace têm examinado o solo e a água do
lençol freático na área e nos arredores da fábrica em Bhopal.
Confira os resultados e os relatórios completos no hotsite sobre o caso de Bhopal.
(3) A edição de outubro de 2003 do "The Journal for the American
Medical Association" pode ser vista em www.bhopal.org/jama.pdf
(4) Participe da ciberação e envie água contaminada de Bhopal
para a Dow em www.greenpeace.org/bhopalwater