Greenpeace participa do dia global de ações contra crimes corporativos, no 19º aniversário do desastre de Bhopal

Notícia - 2 - dez - 2003
Em vários países, houve protetos em apoio às vítimas do acidente; população da cidade até hoje sofre as consequências do vazamento de gás

No 19º aniversário do vazamento de gás em Bhopal (Índia), pior desastre industrial da História, o Greenpeace e a Campanha Internacional por Justiça em Bhopal (ICJB, em inglês) fizeram um dia de ações globais contra os crimes corporativos. Protestos em 16 países foram realizados em apoio às milhares de pessoas na cidade que ainda sofrem as consequências do desastre, exigindo leis internacionais que protejam a todos contra os crimes das grandes empresas (1).

Em Bombaim, mais de 60 estudantes, voluntários e ativistas se deitaram na calçada no centro da cidade para representar o horror de Bhopal, cujas ruas foram tomadas por oito mil corpos nos dias que se seguiram ao vazamento dos gases letais da fábrica de pesticidas da Dow-Carbide. Enquanto o corpo dos manifestantes era contornado por traços de giz, ativistas seguraram cartazes que levavam as mensagens "Lembre-se de Bhopal" e "Dow - você tem o sangue de Bhopal em suas mãos".

"Esse protesto é para lembrar ao mundo que a tragédia de Bhopal está longe de acabar", disse a cientista do Greenpeace, Ruth Stringer. "A fábrica de pesticidas abandonada contém estoques de produtos químicos perigosos. Solventes que se espalharam pelo solo, acabaram contaminando o lençol freático. Muitos habitantes utilizam a água contaminada para cozinhar e beber. Até que o local seja limpo, a saúde do povo de Bhopal seguirá sob risco", afirmou (2).

Em Copenhaguem, ativistas do Greenpeace também contornaram os "corpos" espalhados pelo chão com giz, em frente ao escritório da Dow. Ao mesmo tempo, outros ativistas protestavam em frente à Embaixada Americana na capital dinamarquesa, pedindo pela indiciação do ex-diretor da Union Carbide Warren Anderson, que atualmente está foragido nos EUA e é procurado pela Interpol. Ativistas suíços entregaram uma réplica de uma estátua que fica na parte externa do escritório da Dow em Bhopal, à sede da empresa européia em Horgen.

Atualmente, pelo menos 150 mil pessoas, incluindo crianças nascidas de pais atingidos pelo vazamento de gás, sofrem de problemas de saúde decorrentes do acidente. Um estudo científico recente, publicado pelo Journal of American Medical Association, constatou um retardo no tempo de nascimento de garotos (3). Desde 1984, o número de mortos aumentou para mais de 20 mil, e no mínimo 30 pessoas morrem de doenças relacionadas à exposição ao gás tóxico todo mês. A Dow Chemical, que comprou a Union Carbide em 2001, recusa-se a aceitar a responsabilidade pela catástrofe, a recompensar completamente as vítimas ou a limpar o local da indústria, que ainda está contaminado com produtos químicos perigosos.

O Greenpeace convidou pessoas em todo o mundo a apoiarem os sobreviventes do acidente de Bhopal. Visitando o site da organização na internet, todos podem enviar garrafas com água contaminada de Bhopal. E aqueles que mais acessarem o link, terão garrafas com seu nome enviadas enviadas diretamente para os escritórios da Dow em todo o mundo, com um pedido de que Bhopal seja limpa (4).

"No início do 20º ano lutando por justiça, nós agradecemos a nossos colaboradores em todo o mundo pelo reconhecimento do desastre e de suas consequências ambientais, sociais e para a saúde humana, causadas pela recusa do governo indiano e da poluidora Dow-Carbide em assumir as responsabilidades pendentes em Bhopal. Nós estamos confiantes de que o próximo ano será um momento crucial para que a Dow Chemical e o governo indiano assumam suas responsabilidades no caso", disse Rashida Bee, uma sobrevivente do desastre que integra a Campanha Internacional por Justiça em Bhopal.

(1) O Greenpeace faz parte da Campanha Internacional por Justiça em Bhopal (ICJB - International Campaign for Justice in Bhopal).

A campanha exige que a Dow Química:

- assuma o legado deixado pela Union Carbide, uma vez que adquiriu a empresa em 2001, e responda pela responsabilidade criminal do acidente no caso pendente na Corte do Distrito de Bhopal;

- providencie tratamento médico a longo prazo, monitorando e examinando os sobreviventes do acidente e suas futuras gerações;

- providencie uma ampla reparação dos danos ambientais, tanto dentro como ao redor da fábrica, inclusive do lençol freático contaminado;

- garanta imediatamente o fornecimento de água potável para as comunidades afetadas;

- providencie oportunidades para que os sobreviventes garantam seu sustento.

A ICJB também exige que Warren Anderson, ex-presidente da Union Carbide, responda ao processo judicial na Índia.

(2) Cientistas do Greenpeace têm examinado o solo e a água do lençol freático na área e nos arredores da fábrica em Bhopal. Confira os resultados e os relatórios completos no hotsite sobre o caso de Bhopal.

(3) A edição de outubro de 2003 do "The Journal for the American Medical Association" pode ser vista em www.bhopal.org/jama.pdf

(4) Participe da ciberação e envie água contaminada de Bhopal para a Dow em www.greenpeace.org/bhopalwater

Tópicos