Ativistas do Greenpeace entregam passagem, formulário de imigração e mala para que o Presidente volte a Copenhague -mas, desta vez, para lutar pelo clima do planeta na Conferência do Clima da ONU, no final do ano.
Ativistas do Greenpeace levaram hoje ao presidente Lula um
pedido: que assuma metas concretas contra o aquecimento global e vá
para Copenhague, na Dinamarca, em dezembro para garantir um acordo
ambicioso, justo e efetivo na Conferência do Clima da ONU. O
protesto aconteceu na frente do Centro Cultural Banco do Brasil,
onde o presidente discutiu com diversos ministérios a posição que o
país apresentará na conferência.
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Os ativistas chegaram ao local usando fantasias que representam
os setores envolvidos na questão de clima: uma vaca simbolizava o
desmatamento na Amazônia, um homem-placa solar para simbolizar as
energias renováveis, uma tartaruga marinha representando os
oceanos, além de uma máscara do presidente. Os ativistas encerraram
o protesto protocolando uma mala de viagem, uma representação de
uma passagem aérea para Copenhague, onde acontecerá a Conferência
do Clima, além de um formulário de imigração com o caminho que o
Brasil deve seguir na luta contra o aquecimento global.
"O Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa e
umas das dez maiores economias do planeta. Está na hora de o país
assumir metas condizentes com seu tamanho e sua responsabilidade e
que representem os vários setores da economia", diz João Talocchi,
coordenador da campanha de clima do Greenpeace.
O primeiro passo a ser dado pelo presidente é zerar o
desmatamento da Amazônia até 2015. A meta apresentada pelo governo
federal - redução de 80% do desmatamento até 2020, com relação à
média do corte registrado entre 1996 e 2005 - é insuficiente para
lidar com o desafio das mudanças climáticas, pois significa que
entre 1,5 bilhão e 1,8 bilhão de árvores poderiam ser derrubadas na
Amazônia na próxima década.
"Desmatamento zero não significa que nenhuma árvore será
cortada, como o presidente Lula sugeriu na semana passada na
Suécia. Significa trabalhar de forma sustentável, promovendo a
manutenção da floresta e dos serviços ambientais que ela presta",
afirma Talocchi. "O Brasil deve olhar as negociações para evitar as
mudanças do clima como uma oportunidade de contribuir com o meio
ambiente e ao mesmo tempo gerar empregos, desenvolver tecnologias e
lucrar com a preservação da floresta. O país só tem a ganhar, mas
parece que o governo não enxerga isso."
O Greenpeace também defende que, até 2020, pelo menos 25% da
eletricidade do país seja gerada a partir de fontes renováveis de
energia como vento, sol, biomassa e pequenas centrais
hidrelétricas. O investimento nesta área criaria 300 mil novos
empregos diretos no país nesse período, e 600 mil até 2030.
Além disso, o Greenpeace propõe que o governo brasileiro
transforme pelo menos 30% do território costeiro-marinho do Brasil
em áreas protegidas até 2020. Os oceanos são importantes
reguladores climáticos, pois absorvem o CO_2 - principal gás do
efeito estufa - da atmosfera. Mantê-los saudáveis é essencial para
garantir a continuidade desse serviço ambiental.