Sirenes e faixas invadem Congresso

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Notícia - 27 - out - 2009
Após protesto barulhento conduzido pelo Greenpeace, Comissão do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados adia votação do projeto de lei Floresta Zero.

Ativistas protestam no Congresso contra mudanças no Código Florestal.

Ativistas do Greenpeace protestaram hoje, em Brasília, durante a reunião da Comissão de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Estava em pauta a votação do projeto de lei 6.424/05 do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), conhecido como "Floresta Zero". Após o protesto, a votação foi adiada por uma semana.

Ativistas acorrentados carregavam sirenes e cartazes com os dizeres "A bancada da motosserra quer acabar com nossas florestas", lembrando que o projeto de lei inclui uma série de propostas que ameaçam as florestas brasileiras. O protesto teve a adesão de muitos que assistiam à reunião e durou mais de uma hora. Após serem retirados pela Policia Legislativa e prestarem esclarecimentos, os ativistas foram liberados.

A atuação do líder do governo na Câmara Henrique Fontana (PT-RS) e do líder do PSDB, José Aníbal (PSDB-SP), foram fundamentais para o adiamento da votação. Fontana foi até a Comissão buscar reconduzir a discussão para o fórum adequado e Aníbal levou bom senso ao presidente da Comissão, deputado do seu partido, demostrando que não existia clima para votar o PL na sessão de hoje. Os líderes do PV e PSOL também trabalharam contra a votação.

O texto apresentado pelo relator Marcos Montes (DEM-MG) permite que os proprietários que destruíram suas reservas legais fiquem desobrigados de recuperar o dano ambiental causado dentro da região em que ele ocorreu, permitindo que a chamada "compensação" seja feita em qualquer região do país. Ao permitir que áreas desmatadas nos vários biomas brasileiros, como a Mata Atlântica e o Cerrado, possam ser usadas sem maiores entraves, a proposta pode favorecer a criação de imensos vazios de vegetação natural do país.

O projeto também autoriza a recuperação da cobertura florestal seja feita com monoculturas (dendê e outras palmáceas produtoras de óleo, além de eucalipto e outras espécies exóticas) em 30% da área ilegalmente desmatada.  "Um dia após a aprovação da Polítical Nacional sobre Mudança do Clima pela Câmara dos Deputados, a reunião da Comissão de Meio Ambiente hoje foi conduzida como se fosse um encontro da Comissão de Agricultura nos seus piores dias. Claramente, a proteção ambiental não era prioridade", disse Nilo D´Ávila, coordenador da políticas públicas do Greenpeace.

A preocupação com as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global passou longe das discussões de hoje. Mais uma vez a bancada ruralista fez questão de ignorar que o desmatamento é a maior causa das emissões de gases do efeito estufa pelo Brasil.

Em dezembro, representantes de todo o mundo estarão reunidos em Copenhague para definir o que será feito para conter o aquecimento global. "Em relação às nossas florestas, o que o Brasil precisa levar para Copenhague é o compromisso com o desmatamento zero e não pode fazer isso aprovando projetos de lei como o proposto pelo deputado Flexa Ribeiro", diz D´Ávila.

Pacote florestal - A bancada da motosserra não conseguiu observar nem a busca do acordo que está sendo costurado pelo presidente Lula, pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc; Ministro do Desenvolvimento Agrário. Guilherme Cassel; e pelo representante dos ruralistas do governo, Reinhold Stephanes, ministro  da Agricultura. O resultado da negociação deve ser anunciado na próxima semana.

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