Greenpeace protesta contra Chernobyl flutuante

Notícia - 21 - dez - 2001
Outra carga pode vir em fevereiro

O Greenpeace realizou, hoje, um protesto em frente ao Consulado Geral da França em São Paulo, contra o transporte marítimo de lixo nuclear próximo à costa brasileira. Além do navio de bandeira inglesa "Pacific Swan", que zarpou da França na última terça-feira (19/12), seguindo a rota do Cabo de Horn em direção ao Japão, transportando uma carga recorde de lixo nuclear, a organização ambientalista denunciou também que um novo transporte de rejeitos radioativos está previsto para deixar a Europa em fevereiro.

Ativistas do Greenpeace estenderam uma faixa de 100 metros quadrados, em frente ao Consulado Francês, com os dizeres: "Chega de Lixo Nuclear". Centenas de pessoas que estavam passando pelo local assinaram a faixa, em protesto contra a passagem do Pacific Swan pela costa da América do Sul. A organização ambientalista também entregou carta sobre o tema para os Consulados da Grã Bretanha e Japão, que junto com a França, são responsáveis pelos transportes.

Ontem, o Pacific Swan foi objeto de protesto conjunto dos governos do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, que manifestaram sua preocupação "com os eventuais efeitos nocivos que este transporte representaria para a saúde das populações humanas costeiras e para a integridade do meio ambiente marinho da região pela qual se dará o trânsito, devido à natureza intrinsicamente perigosa de seu carregamento". O Pacific Swan, que carrega 192 barris de lixo nuclear altamente radioativo, está atravessando, no momento, o Oceano Atlântico e deverá chegar próximo às águas brasileiras por volta do dia 29 de dezembro.

De acordo com a programação de atividades da indústria nuclear japonesa, uma carga de combustível misto de urânio e plutônio deverá ser carregada na unidade 3 da usina nuclear Kashiwazaki Kariwa, no Japão, no dia 3 de abril de 2001. O carregamento deverá partir da Europa em fevereiro e o transporte deverá ser feito por dois navios, o Pacific Pintail e o Pacific Teal, carregando cerca de 200 kg de plutônio na forma de MOX - óxido misto de urânio e plutônio (1). A rota a ser seguida permanece em segredo e a costa brasileira está entre as opções de transporte.

"Outros transportes estão previstos", afirma Ruy de Goes, coordenador da Campanha Nuclear do Greenpeace. "Os governos da França, Japão e Grã Bretanha se dão ao direito de colocar metade do planeta sob risco para favorecer a ind ústria nuclear de seus países. É uma atitude de desrespeito aos governos da regi ão e demonstra despreocupação com o meio ambiente e a saúde de milhões de latino-americanos".

A partir de hoje, o Greenpeace está também promovendo uma "cyberação", convidando os internautas a enviarem seu protesto aos três governos, através de seu site na internet.

(1) Com seis quilos de plutônio é possível fabricar-se uma bomba nuclear.

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