O Greenpeace realizou, hoje, um
protesto em frente ao Consulado Geral da França em São Paulo,
contra o transporte marítimo de lixo nuclear próximo à costa
brasileira. Além do navio de bandeira inglesa "Pacific Swan", que
zarpou da França na última terça-feira (19/12), seguindo a rota do
Cabo de Horn em direção ao Japão, transportando uma carga recorde
de lixo nuclear, a organização ambientalista denunciou também que
um novo transporte de rejeitos radioativos está previsto para
deixar a Europa em fevereiro.
Ativistas do Greenpeace estenderam uma faixa de 100 metros
quadrados, em frente ao Consulado Francês, com os dizeres: "Chega
de Lixo Nuclear". Centenas de pessoas que estavam passando pelo
local assinaram a faixa, em protesto contra a passagem do Pacific
Swan pela costa da América do Sul. A organização ambientalista
também entregou carta sobre o tema para os Consulados da Grã
Bretanha e Japão, que junto com a França, são responsáveis pelos
transportes.
Ontem, o Pacific Swan foi objeto de protesto conjunto dos
governos do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, que manifestaram
sua preocupação "com os eventuais efeitos nocivos que este
transporte representaria para a saúde das populações humanas
costeiras e para a integridade do meio ambiente marinho da região
pela qual se dará o trânsito, devido à natureza intrinsicamente
perigosa de seu carregamento". O Pacific Swan, que carrega 192
barris de lixo nuclear altamente radioativo, está atravessando, no
momento, o Oceano Atlântico e deverá chegar próximo às águas
brasileiras por volta do dia 29 de dezembro.
De acordo com a programação de atividades da
indústria nuclear japonesa, uma carga de combustível misto de
urânio e plutônio deverá ser carregada na unidade 3 da usina
nuclear Kashiwazaki Kariwa, no Japão, no dia 3 de abril de 2001. O
carregamento deverá partir da Europa em fevereiro e o transporte
deverá ser feito por dois navios, o Pacific Pintail e o Pacific
Teal, carregando cerca de 200 kg de plutônio na forma de MOX -
óxido misto de urânio e plutônio (1). A rota a ser seguida
permanece em segredo e a costa brasileira está entre as opções de
transporte.
"Outros transportes estão previstos", afirma Ruy de
Goes, coordenador da Campanha Nuclear do Greenpeace. "Os governos
da França, Japão e Grã Bretanha se dão ao direito de colocar metade
do planeta sob risco para favorecer a ind ústria nuclear de seus
países. É uma atitude de desrespeito aos governos da regi ão e
demonstra despreocupação com o meio ambiente e a saúde de milhões
de latino-americanos".
A partir de hoje, o Greenpeace está também promovendo uma
"cyberação", convidando os internautas a enviarem seu protesto aos
três governos, através de seu site na internet.
(1) Com seis quilos de plutônio é possível fabricar-se uma bomba
nuclear.