Um dia após o Greenpeace lançar em todo o mundo o
relatório "Comendo a Amazônia", ativistas da organização impediram
por mais de quatro horas, na manhã de hoje, que o navio W-ONe
desembarcasse no porto de Amsterdã, na Holanda. Este navio foi
utilizado pela multinacional norte-americana Cargill para
transportar soja cultivada na Amazônia para a Europa.
Durante a ação, onze ativistas posicionaram e moveram
estrategicamente cinco botes infláveis com o objetivo de evitar que
o barco W-One atracasse e descarregasse. A carga em questão -
milhares de toneladas de grãos de soja - havia sido carregada no
porto construído pela Cargill, em Santarém, no Pará. Segundo o
Ministério Público Federal, este porto foi construído ilegalmente,
já que não foi apresentado o Estudo de Impacto Ambiental
(EIA/Rima), necessário para obras deste porte. Um dos botes, que
havia se colocado entre o W-ONe e a doca, foi prensado pelo navio,
mas ninguém se machucou. Faixas com os dizeres "Crime Ambiental"
foram abertas pelos ativistas no local.
Apesar de a Cargill alegar que a soja poderia ter sido cultivada
no sul do país, o Greenpeace tem provas de que a soja carregada
pelo navio W-One foi produzida na Amazônia, nos estados de Rondônia
e Pará, por exemplo.
"A Cargill tem um papel central neste comércio que está
destruindo a Amazônia porque ela está viabilizando a invasão
criminosa da soja na floresta", afirma Paulo Adário, coordenador da
campanha Amazônia, do Greenpeace.
O relatório "Comendo a Amazônia", publicado pelo Greenpeace
Internacional, revela que a Cargill negocia com fazendeiros
inescrupulosos, que grilaram e desmataram ilegalmente áreas
públicas e terras indígenas. Alguns utilizaram até mesmo trabalho
escravo.
Resultado de um ano de investigação sigilosa, nas regiões de
produção e consumo de soja, baseada em análise de imagens de
satélites, sobrevôos, análise de dados do governo e pesquisas de
campo, o documento "Comendo a Amazônia" evidencia como a demanda
mundial por soja alimenta a destruição da maior floresta do
mundo.
O documento revela ainda o papel de outras duas multinacionais
norte- americanas de commodities agrícolas - ADM (Archier Daniels
Midland) e Bunge - na invasão da Amazônia, impulsionando o
desmatamento ilegal - muitas vezes, feito com trabalho escravo, a
grilagem de terras públicas e a violência contra comunidades
locais. ADM, Bunge e Cargill controlam a maior parte do mercado de
soja na Europa. A investigação mostra ainda como a soja amazônica é
utilizada para alimentar animais e acaba indo parar nas prateleiras
de supermercados e redes de fast-foods da Europa, como Mc Donald's
e KFC.
Além da ação realizada hoje na Holanda, desde que o relatório
foi lançado, ontem, inúmeras ações ocorreram em restaurantes do Mc
Donald's, a maior cadeia de fast food do mundo, na Inglaterra e na
Alemanha.
Veja também:
Crimes contra a Amazônia à venda nas prateleiras de supermercados e
fast foods da Europa
O relatório "Comendo a Amazônia" está disponível em inglês
em:
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/amazonsoya.pdf
O sumário executivo em português pode ser lido em:
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/comendoamz_sumexec.pdf