Greenpeace publica calendário com 365 motivos para rejeitar energia nuclear

Notícia - 25 - abr - 2006
Data marca também aniversário da primeira atividade do Greenpeace no Brasil, há 14 anos

Após 20 anos da tragédia de Chernobyl, o Greenpeace publica hoje um calendário inédito que aponta, para cada dia do ano, um acidente ou incidente nuclear ocorrido em algum lugar do planeta desde o surgimento da tecnologia nuclear até os dias atuais. São 365 episódios que ilustram que morte e destruição acompanham não só as bombas atômicas, mas também o uso comercial da energia nuclear.

Sem considerar estas ameaças, o risco da aventura nuclear no Brasil segue existindo. "A possibilidade de o Governo Federal dar continuidade ao Programa Nuclear Brasileiro só aumenta os riscos de mais acidentes", afirma Guilherme Leonardi, coordenador da campanha antinuclear do Greenpeace. "Em 1987, o Brasil também foi palco do maior acidente radiológico do mundo. Assim como as milhares de pessoas afetadas por Chernobyl seguem sofrendo com a radiação, no Brasil, as vítimas do Césio 137, em Goiânia (GO), continuam praticamente desamparadas 18 anos depois do acidente", completa.

O calendário é ilustrado com fotos impressionantes, produzidas pelo fotógrafo holandês Robert Knoth, em quatro regiões que presenciaram grandes acidentes: Chernobyl, na Ucrânia; Mayak e Seversk, na Rússia e Semipalatinsk, no Casaquistão. Além de mostrar o dia-a-dia das pessoas que ainda habitam estes locais, as fotos também retratam as conseqüências na saúde humana das catástrofes. O acidente de Chernobyl causou um aumento da incidência de câncer, de doenças cardiovasculares e do número de malformações fetais e mutações cromossômicas, segundo o relatório "As conseqüências na saúde humana da catástrofe de Chernobyl", publicado pelo Greenpeace.

"Essa tecnologia não pode ser controlada, e dezenas de acidentes têm provado e comprovado sua natureza destrutiva e perigosa. Cada cabo que pega fogo, cada cano rompido podem em questão de minutos transformar uma usina nuclear em um pesadelo atômico", disse Leonardi. "O acidente de Chernobyl aconteceu em 26 de abril de 1886, mas todo dia do ano, alguma região do mundo foi palco de um incidente nuclear. E estes dados são mais do que suficientes para comprovar que essa tecnologia é insegura e ultrapassada", completa.

Greenpeace Brasil faz 14 anos

O dia de hoje também marca o início das atividades do Greenpeace no Brasil, quando a organização realizou um protesto contra a energia nuclear em frente à usina de Angra I, em 1992. De lá para cá, o Greenpeace Brasil ampliou sua atuação no país e, hoje, há três campanhas em vigor que são: proteção da Amazônia, adoção de energias limpas e renováveis, adoção do princípio de precaução na produção de transgênicos.

Sobre o Greenpeace

O Greenpeace é uma organização não-governamental independente, que faz campanhas não-violentas para expor os problemas ambientais e alcançar soluções que são essenciais a um futuro verde e pacífico. A principal fonte de financiamento do Greenpeace são seus colaboradores, que, além do apoio financeiro, também participam das campanhas. O Greenpeace não aceita doações de empresas, governos e partidos políticos, o que garante sua total independência. Seus objetivos são: proteger a biodiversidade; evitar a poluição e o esgotamento do solo, oceanos, água e ar; acabar com as ameaças nucleares; e promover a paz.

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