Ativistas do Greenpeace realizaram
ato simbólico em defesa da Amazônia "queimando" árvores em parques
e ruas famosas de 11 países ao redor do mundo. Aplicando pôsters de
papelão reciclado com imagem de fogo aos troncos das árvores, os
ativistas recriaram a imagem de uma floresta em chamas em grandes
centros urbanos. No Brasil, o protesto aconteceu simultaneamente, a
partir das onze horas da manhã, em São Paulo (Parque Trianon),
Porto Alegre (Parque da Redenção) e Salvador (Parque da Cidade).
Além destas capitais brasileiras, cidades na Austrália, Papua Nova
Guiné, Hungria, República Checa, Espanha, Holanda, Alemanha,
Argentina, Estados Unidos e Canadá participaram do ato global
contra a destruição da Amazônia.
"Nosso objetivo com este protesto é chamar a atenção da
população mundial para a urgência de se proteger a Amazônia contra
a expansão da fronteira agropecuária e a extração criminosa de
madeira, que são as forças econômicas por trás das queimadas e do
desmatamento", disse Rebeca Lerer, que coordenou o ato no
Brasil.
Nos últimos três anos, foram destruídos mais de 70 mil km2 de
floresta amazônica - o equivalente a um campo de futebol perdido a
cada oito segundos. O estado do Mato Grosso, maior produtor de soja
do país, lidera a estatística mundial de queimadas em matas
derrubadas para dar lugar a fazendas, segundo dois estudos recentes
de cientistas americanos feitios com base em dados de satélite da
agência espacial Nasa. A soja, cuja produção é financiada e
exportada por empresas transnacionais que atuam na Amazônia, como
ADM, Bunge e Cargill, além do grupo brasileiro Maggi, se tornou um
dos principais vetores desse desmatamento. Estima-se que mais de
1,2 milhão de hectares originalmente cobertos por floresta
amazônica estão hoje ocupados por latifúndios de soja.
"A maior floresta tropical do planeta está sendo destruída para
produzir ração animal para o mercado mundial e acaba servida como
alimento em redes de fast food como Mac Donalds e KFC e
supermercados", afirma Paulo Adário, coordenador da campanha da
Amazônia do Greenpeace. Investigações recentes do Greenpeace
revelaram que os crimes florestais começam na Amazônia e atingem
toda a indústria alimentícia da Europa. O relatório "Comendo a
Amazônia" detalha como fazendas de soja que praticam grilagem de
terras e desmatamento em larga escala e utilizam mão-de-obra
escrava fornecem soja para ração de frangos e vacas que abastecem
restaurantes e supermercados na Europa.
Para plantar soja e outros grãos, fazendeiros
limpam extensas áreas de floresta através de queimadas.. Em 2005, o
INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 167.220
focos de calor na Amazônia Legal. Além de ser um dos maiores
exportadores de soja do mundo, o Brasil também está em quarto lugar
na lista dos maiores poluidores do planeta. Dados recentes do
Ministério da Ciência e Tecnologia apontam que 3/4 das emissões
brasileiras de gases estufa são resultado do desmatamento da
Amazônia.
O Greenpeace lançou uma ofensiva internacional de grande escala
para expor a ameaça representada pela soja como vetor da expansão
da fronteira agrícola sobre áreas de floresta. No dia 19 de maio, o
Greenpeace bloqueou o porto da multinacional Cargill em Santarém
(PA), impedindo o descarregamento de soja amazônica por mais de 3
horas. Funcionários da empresa e produtores de soja da região
reagiram com violência à manifestação pacífica no porto ilegal da
empresa. Quatro ativistas foram feridos e 16 detidos pela Polícia
Federal. O porto da Cargill em Santarém é ilegal porque foi
construído sem a realização de Estudo de Impacto Ambiental,
previsto na Constituição Brasileira, e é um dos principais acessos
da soja de desmatamentos criminosos ao mercado internacional. A
Cargill opera 13 silos de armazenamento de grãos no bioma
Amazônico, mais do que qualquer outra empresa do ramo.
Ontem (27), em Manaus (AM), o navio do Greenpeace Arctic Sunrise
encerrou expedição de dois meses pelo país promovendo a criação de
uma rede de áreas protegidas e de uso sustentável na Amazônia para
deter o desmatamento. O navio chegou no final de março em Porto
Alegre (RS), passou pelo nordeste, esteve em Belém e em Santarém,
no Pará, onde participou das manifestações contra o cultivo de soja
na Amazônia. Durante este período, mais de 25 mil pessoas puderam
visitar o navio e uma exposição de 72 fotos sobre a realidade da
Amazônia e o trabalho do Greenpeace na região.
A floresta amazônica é uma das áreas com maiores índices de
biodiversidade do planeta e tem papel fundamental na estabilidade
climática da Terra. O Greenpeace exige uma moratória no plantio de
soja na Amazônia até que um plano abrangente de áreas protegidas e
de uso sustentável seja efetivamente implementado pelo governo
brasileiro. A entidade está pressionando as multinacionais da soja
e seus clientes na indústria alimentícia a garantir que os grãos
consumidos na alimentação animal não destruam a Amazônia e que não
utilizem soja transgênica. A entidade também cobra do governo
brasileiro a execução do Plano interministerial de combate ao
desmatamento e o fortalecimento das instituições federais como
IBAMA, INCRA e Polícia Federal para deter a destruição
florestal.
O Greenpeace é uma organização independente que usa protestos
criativos e não-violentos para expor problemas ambientais em escala
global e promover soluções essenciais a um futuro pacífico e
sustentável.