Heródoto Barbeiro participa da Campanha Veneno Doméstico

Notícia - 17 - nov - 2003
Greenpeace aspira a poeira da casa do jornalista, que diz que a falta de proteção da população contra as substâncias tóxicas é preocupante

A Campanha Veneno Doméstico lançada pelo Greenpeace em outubro contou, na última semana, com a participação do jornalista Heródoto Barbeiro, que abriu sua casa para que os ativistas da organização coletassem amostras de poeira. Durante o mês de novembro, a campanha do Greenpeace aspirará a poeira de 60 casas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O pó recolhido será enviado para a análise das substâncias químicas tóxicas ao laboratório holandês TNO, um dos poucos no mundo adequados para a tarefa.

"A sociedade tem que caminhar em direção à sustentabilidade. Cuidar do ser humano como um todo, envolvendo, por exemplo, a indústria química ou qualquer outro tipo de indústria, é um compromisso moral e ético da sociedade para que as coisas melhorem. Esses setores, muitas vezes, estão mais preocupados em ganhar dinheiro do que em respeitar a biodiversidade. Lutar para que uma mudança ocorra é o que me anima em participar desta campanha do Greenpeace", explicou o jornalista.

O objetivo da campanha Veneno Doméstico é, no primeiro momento, detectar a presença de elementos tóxicos nocivos para a saúde e o meio ambiente na poeira doméstica. Com isso, o Greenpeace pretende chamar a atenção da população para o fato de que substâncias tóxicas utilizadas na fabricação de tapetes, televisores, brinquedos e cosméticos podem estar contaminando as pessoas dentro de suas próprias casas.

"Esses compostos podem causar disfunções nos sistemas reprodutor e imunológico, sendo que alguns deles são potencialmente cancerígenos", afirma o coordenador da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace, John Butcher.

O Greenpeace quer que alguns princípios e diretrizes sejam incorporados na futura política nacional de segurança química que está sendo discutida atualmente. A demanda da organização é que ela incorpore os Princípios da Substituição (banimento das substâncias tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas), da Precaução (na dúvida sobre o risco de determinada substância, ela não deve ser desenvolvida ou usada), e o conceito do Direito à Informação (todos temos o direito de saber o que o produto que compramos realmente contêm, e quais os riscos reais ou potenciais das substâncias utilizadas em sua fabricação). "Somente com uma legislação rígida, aliada a programas de incentivo, mais a aplicação de mecanismos de fiscalização, será possível evitar que sejamos expostos a substâncias tóxicas diariamente", diz John Butcher.

Outra demanda do Greenpeace é para que o Congresso Nacional ratifique ainda este ano a Convenção de Estocolmo, tratado internacional que estipula o banimento inicial de 12 substâncias tóxicas, os "12 sujos". A ratificação é o ato de transformar em lei o texto dessa convenção.

(1) Veja o relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre a campanha na Europa. Confira também a versão em português do sumário executivo do relatório.

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