
A Campanha Veneno Doméstico lançada pelo Greenpeace em outubro
contou, na última semana, com a participação do jornalista Heródoto
Barbeiro, que abriu sua casa para que os ativistas da organização
coletassem amostras de poeira. Durante o mês de novembro, a
campanha do Greenpeace aspirará a poeira de 60 casas nos Estados de
São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O pó recolhido será
enviado para a análise das substâncias químicas tóxicas ao
laboratório holandês TNO, um dos poucos no mundo adequados para a
tarefa.
"A sociedade tem que caminhar em direção à sustentabilidade.
Cuidar do ser humano como um todo, envolvendo, por exemplo, a
indústria química ou qualquer outro tipo de indústria, é um
compromisso moral e ético da sociedade para que as coisas melhorem.
Esses setores, muitas vezes, estão mais preocupados em ganhar
dinheiro do que em respeitar a biodiversidade. Lutar para que uma
mudança ocorra é o que me anima em participar desta campanha do
Greenpeace", explicou o jornalista.
O objetivo da campanha Veneno Doméstico é, no primeiro momento,
detectar a presença de elementos tóxicos nocivos para a saúde e o
meio ambiente na poeira doméstica. Com isso, o Greenpeace pretende
chamar a atenção da população para o fato de que substâncias
tóxicas utilizadas na fabricação de tapetes, televisores,
brinquedos e cosméticos podem estar contaminando as pessoas dentro
de suas próprias casas.
"Esses compostos podem causar disfunções nos sistemas reprodutor
e imunológico, sendo que alguns deles são potencialmente
cancerígenos", afirma o coordenador da Campanha de Substâncias
Tóxicas do Greenpeace, John Butcher.
O Greenpeace quer que alguns princípios e diretrizes sejam
incorporados na futura política nacional de segurança química que
está sendo discutida atualmente. A demanda da organização é que ela
incorpore os Princípios da Substituição (banimento das substâncias
tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas), da
Precaução (na dúvida sobre o risco de determinada substância, ela
não deve ser desenvolvida ou usada), e o conceito do Direito à
Informação (todos temos o direito de saber o que o produto que
compramos realmente contêm, e quais os riscos reais ou potenciais
das substâncias utilizadas em sua fabricação). "Somente com uma
legislação rígida, aliada a programas de incentivo, mais a
aplicação de mecanismos de fiscalização, será possível evitar que
sejamos expostos a substâncias tóxicas diariamente", diz John
Butcher.
Outra demanda do Greenpeace é para que o Congresso Nacional
ratifique ainda este ano a Convenção de Estocolmo, tratado
internacional que estipula o banimento inicial de 12 substâncias
tóxicas, os "12 sujos". A ratificação é o ato de transformar em lei
o texto dessa convenção.
(1) Veja o relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house
dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre a
campanha na Europa. Confira também a versão em português do sumário executivo do
relatório.