Notícia - 15 - jul - 2007
Órgãos de fiscalização ligados ao governo federal afirmam que a liberação do milho da Bayer pode trazer graves impactos para o meio ambiente e para a saúde pública
Após pressão de organizações não-governamentais socioambientais
e alguns parlamentares, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Renováveis) e a Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária) pediram ao CNBS (Conselho Nacional de
Biossegurança) a anulação da decisão da CTNBio (Comissão Técnica
Nacional de Biossegurança) que liberou a comercialização do milho
transgênico Liberty Link da Bayer. No mês passado, a Justiça
Federal do Paraná já havia suspendido a liberação comercial da
variedade até que fossem criadas normas de monitoramento e
coexistência com outros tipos de milho convencionais e
orgânicos.
"O fato de duas agências de fiscalização recorrerem da decisão
de liberar o milho da Bayer mostra as incoerências do próprio
governo em relação aos transgênicos", disse Gabriela Vuolo,
coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace
Brasil. "Como uma comissão composta por mais de 50 cientistas
deixou passar as enormes irregularidades apontadas pela Anvisa e
pelo Ibama?", complementou.
No documento encaminhado à ministra Dilma Rousseff, presidente
do CNBS, o Ibama declara que a decisão tomada pela CTNBio pode
trazer "graves impactos para a saúde pública e, em especial, para o
meio ambiente". Entre as justificativas indicadas pelo órgão
federal estão a inexistência de estudo de impacto ambiental, a
ausência de avaliação de risco e a falta de procedimentos de
coexistência do cultivo de milho transgênico e outros tipos da
variedade.
Para explicar a ação do Ibama, o Ministério do Meio Ambiente
divulgou uma nota afirmando que o processo descumpriu vários
dispositivos legais. Entre as irregularidades, o ministério
ressalta que "pareceres levados à plenária não foram aprovados nas
respectivas subcomissões" e que "o pedido de sigilo de várias
partes do processo tampouco foi apreciado".
Em seu recurso, a Anvisa, ligada ao Ministério da Saúde, declara
que "o processo de liberação comercial do milho Liberty Link possui
estudos inadequados e insuficientes para atestar a segurança
alimentar e determinar os riscos à saúde pública da cultura
geneticamente modificada". Entre as irregularidades apontadas pela
agência estão a falta de estudos toxicológicos ou de
alergenicidade. Na opinião da Anvisa, a Bayer deve apresentar
estudos sobre as conseqüências do consumo do produto transgênico
para a saúde humana e, em especial para a amamentação.
Os recursos do Ibama e da Anvisa estão de acordo com a Lei de
Biossegurança, que determina que as decisões da CTNBio podem ser
revogadas pelo CNBS, composto por 11 ministérios. Esses recursos
devem ser analisados assim que a secretaria-executiva do colegiado,
vinculada à Casa Civil, convocar uma reunião para avaliar a decisão
da CTNBio.