Notícia - 12 - jun - 2009
Anúncio do braço financeiro do Banco Mundial para o setor privado acontece duas semanas depois do lançamento do relatório A Farra do Boi na Amazônia.
Unidade do frigorífico Bertin na Amazônia.
O IFC (Corporação Financeira Internacional), braço financeiro do
Banco Mundial para o setor privado, anunciou que vai descontinuar a
parceria com a Bertin, que incluía um empréstimo de US$ 90 milhões
para que a empresa frigorífica brasileira expandisse suas operações
na Amazônia. O valor ainda pendente do financiamento, no valor de
US$ 30 milhões, será cancelado. O anúncio veio duas semanas depois
que o Greenpeace publicou o relatório A Farra do Boi na Amazônia", que expôs como
o empréstimo do IFC para a Bertin em Marabá teve conseqüências
desastrosas, como o aumento do desmatamento na região.
O frigorífico Bertin é uma das empresas apontadas pelo
Greenpeace como responsáveis pela compra de gado de fazendas
envolvidas em desmatamento ilegal e de propriedades localizadas
dentro da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, e fornecendo os
produtos derivados dos animais nos mercados brasileiro e
internacional.
Veja aqui a nota publicada pela Bertin.
"O IFC está dando um passo muito importante para parar o
desmatamento na Amazônia e proteger o clima global, mas precisa
assegurar que desastres como esse não se repitam mais no futuro",
disse Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia, do
Greenpeace.
"O financiamento do IFC já permitiu que a Bertin expandisse suas
operações na Amazônia. Para um banco que adotou estratégias de
'fazer gestão com conhecimento', é como jogar dinheiro no
lixo."
De acordo com o Greenpeace, o IFC deve parar de minar as
políticas do Banco Mundial e, por sua vez, o Banco Mundial deve
adotar uma política de não mais financiar iniciativas que resultem
em desmatamento e mudanças climáticas.
"O Banco Mundial está para fechar outro empréstimo de cerca de
US$ 1,3 bilhão para 'proteção ambiental' no Brasil e deve assegurar
que estes recursos não vão financiar a destruição da Amazônia. O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que
vai gerenciar estes recursos, devem seguir o exemplo do IFC e
cortar todos os investimentos em atividades pecuárias na Amazônia
que estão provocando maior emissão de gases do efeito estufa",
disse Adário.