O caso da cal contaminada por organoclorados e mercúrio da
Solvay, empresa localizada em Santo André (SP), tantas vezes
denunciado pelo Greenpeace, já se estende por cinco anos sem uma
proposta da empresa para solucionar corretamente o problema. Nesse
período, a área permanece contaminada, o que revela a negligência
da empresa e das autoridades públicas. O jornal Folha de São Paulo
publicou ontem matéria sobre esse grave caso de contaminação. O
Greenpeace acredita que uma solução segura para o problema seria
realizar, conjuntamente, ações emergenciais e preventivas.
A ação emergencial, que representa apenas uma parte da solução,
seria o confinamento da área, uma obra de engenharia que busca
apenas aprisionar os agentes contaminantes. No entanto, falhas no
sistema de confinamento podem permitir que essas substâncias vazem
para o meio ambiente e venham a se espalhar pelo solo e água da
região. A literatura técnica atual não garante, por exemplo,
segurança para períodos maiores que 20 anos.
Além da ação emergencial, o Greenpeace exige que sejam feitos
testes conjuntos com tecnologias que tratam organoclorados e
mercúrio, a fim de que, depois, seja feita a descontaminação da
área.
Apesar do alerta do Greenpeace ao longo desses cinco anos, a
Solvay, no entanto, insiste em apresentar apenas o confinamento
como solução permanente para a contaminação. Essa proposta, porém,
não resolve o problema. "Queremos eliminar as substâncias tóxicas
do local, para que elas não sejam um perigo para as futuras
gerações", afirmou John Butcher, coordenador da Campanha de
Substâncias Tóxicas no Brasil.
De acordo com a cientista Ruth Stringer, do laboratório
internacional do Greenpeace na Universidade de Exeter, Inglaterra,
"dentre os contaminantes encontrados, estão mercúrio, que a Solvay
utiliza no processo de produção de soda e cloro e que pode afetar o
sistema nervoso central e os rins, e causar deformações e
retardamento mental em fetos; as dioxinas, que são uma das
substâncias químicas mais tóxicas produzidas pelo homem, podendo
ser acumuladas no corpo humano e causar diversos problemas de
saúde, incluindo câncer; e diversos outros organoclorados, que são
substâncias químicas tóxicas e persistentes no meio ambiente".
Um exemplo claro para mostrar que o confinamento proposto pela
Solvay não representa uma solução é o grave caso registrado no
final de março e que foi manchete em todo o Brasil como um dos
maiores desastres ecológicos já ocorridos no país. O rompimento de
um dos reservatórios de resíduos industriais da empresa Cataguases
Papel Ltda. resultou no vazamento de uma mistura que contaminou o
Rio Pomba, principal fonte de abastecimento de água do estado do
Rio de Janeiro. Entre os componentes da mistura, estavam
substâncias com resíduos tóxicos de soda cáustica e chumbo.
Acredita-se que entre 1,2 e 1,6 bilhões de litros de resíduos
tenham vazado do reservatório. Milhares de pessoas em diversas
cidades ficaram sem água e peixes e animais morreram devido à
contaminação.
"O confinamento não soluciona efetivamente o problema, pois as
substâncias tóxicas continuarão lá. A Solvay, desta maneira, está
demonstrando mais uma vez um total descaso para com a saúde humana,
com a comunidade e com o meio ambiente", afirmou Butcher. "Não
temos mais tempo a perder, a Solvay tem a obrigação de
descontaminar a área e pagar pelos danos ambientais que causou e
vem causando, pois a empresa é a responsável por tal poluição",
concluiu John Butcher.
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já sua mensagem de protesto para o presidente da Solvay contra
o descaso de sua empresa!