Notícia - 11 - fev - 2009
Acusado de ser mandante da morte da missionária ainda não foi julgado pelo crime. Outro fazendeiro acusado foi inocentado.
A absolvição do fazendeiro acusado de mandar matar a missionária Dorothy Stang, em 2005, é mais um caso de impunidade no Pará.
Quatro anos depois da morte da Irmã Dorothy Stang, que
trabalhava com pequenos agricultores na região de Anapu, no Pará,
nenhum dos acusados de serem mandantes do crime foram punidos. O
fazendeiro Vitalmiro Moura foi inocentado em um segundo julgamento,
realizado em 2008, e Regivaldo Galvão, apontado pelo Ministério
Público como responsável direto pelo assassinato da missionária
americana, sequer foi julgado. Quis o destino, porém, que Galvão
fosse preso no final do ano passado acusado de grilagem e tentativa
de comercialização ilegal de terras públicas.
"Irmã Dorothy morreu defendendo os assentamentos de Anapu, em
terra pública, do governo. O que me revolta mais, é que o próprio
governo, até hoje, faz muito pouco para defender essas terras e as
pessoas que vivem ali", afirma o padre Amaro Lopes, da Comissão
Pastoral da Terra (CPT).
O trabalho que Dorothy Stang vinha realizando na região também
está ameaçado de desaparecer. Seu plano de transformar uma área de
cerca de 200 mil hectares em Anapu em modelo de exploração
sustentável por pequenos agricultores está paralisado e as terras
foram invadidas por fazendeiros e madeireiros.
O Greenpeace tem feito sua parte para manter viva a memória de
Irmã Dorothy e sua luta pela atividade sustentável na floresta. Em
Belém, durante passagem do navio Arctic Sunrise pela cidade como
parte da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora, exibimos o documentário "Eles Mataram Irmã
Dorothy", do diretor Daniel Junge, em auditório do cinema
da Universidade Federal Rural do Pará (UFRA), durante o Fórum
Social Mundial, e também em praça pública, na Estação das Docas da
capital paraense.
"Os advogados de defesa dos acusados do crime, que tanto chocam
as pessoas que vêem o filme, são apenas atores fazendo o seu
trabalho. Mas se este filme não alavancar o debate sobre o sistema
judicial e a certeza de impunidade que permeia a nossa sociedade
atual, eu terei prestado um desserviço à sociedade", disse Daniel
Junge, o diretor do filme.