"Nuclear" significa “problema” – em qualquer idioma.
Um terremoto atingiu hoje o noroeste do Japão provocando um
incêndio na usina nuclear Kashiwazaki-Kariwa e o vazamento para o
oceano de um litro e meio de água contendo radioatividade. "O
incêndio e o vazamento de radioatividade nos lembram das graves
ameaças que a energia nuclear representa e de tristes episódios
como Chernobyl e o acidente com Césio 137, em Goiânia em setembro
de 1987", afirmou Guilherme Leonardi, coordenador da campanha de
energia nuclear do Greenpeace Brasil. "No Japão, e em qualquer
lugar aonde houver um reator atômico ativo, há um risco real de
sérios acidentes que podem ocorrer por causa de desastres naturais,
ataques terroristas ou diversos outros motivos", acrescentou.
No Brasil há diversas falhas de segurança que tornam ainda maior
o risco de acidentes nucleares. Em março de 2006 a Câmara dos
Deputados lançou um relatório apontando diversos problemas no
setor, como a dupla função exercida pela CNEN (Comissão Nacional de
Energia Nuclear) de fomentador e fiscal para energia atômica, a
inexistência de fiscalização no país, a falta de depósito
permanente de lixo radioativo para Angra 1 e 2 e a irregularidade
nas autorizações de operação das usinas e da mineração de urânio em
Caetité (BA). Ainda assim, o governo brasileiro insiste na retomado
do Programa Nuclear Brasileiro. No final de junho, o CNPE
recomendou a construção da usina de Angra 3, o que pode
trazer ainda mais insegurança para população brasileira e para o
meio ambiente.
Inicialmente, a indústria nuclear do Japão mentiu sobre os
verdadeiros impactos do incêndio, afirmando que não havia perigo de
vazamento de radioatividade. O setor nuclear japonês e mundial vem
sendo marcado por uma série de acidentes e tentativas de ocultação.
Há semelhança com o incidente na usina nuclear alemã Krummel, em
junho desse ano, quando a indústria atômica inicialmente afirmou
que o fogo não havia causado impactos na segurança do reator.
Entretanto, o fogo causou sérios problemas que ameaçam diretamente
a segurança do reator, conforme a agência reguladora alemã.
Vários incidentes graves ocorreram durante os últimos anos na
indústria nuclear japonesa. Em setembro de 1999 três trabalhadores
morreram devido à alta irradiação e comunidades locais tiveram que
ser evacuadas após falhas de procedimento na fábrica de combustível
de Tokaimura. Em agosto de 2004 a ruptura de um cano na usina
nuclear Mihama matou cinco trabalhadores e 17 reatores operados
pela companhia TEPCO (a mesma responsável pela usina de
Kashiwazaki-Kariwa) foram desligados após ser descoberta a
falsificação de documentos sobre inspeção de segurança. Em abril de
2006 ocorreu a liberação de 40 litros de líquido contendo plutônio
na nova planta de reprocessamento de plutônio em Rokkasho-Mura. Em
março de 2007 foi descoberto que a empresa Hokuriku não informou ao
público nem aos fiscais de segurança sobre um sério incidente na
usina nuclear de Shika, ocorrido em julho de 1999 quando uma falha
no controle das varetas causou reações em cadeias de forma
descontrolada.
A energia nuclear maquia as reais soluções para as mudanças
climáticas e desvia recursos que poderiam ser investidos para o
desenvolvimento de fontes energéticas renováveis limpas e seguras.
Além disso, as mudanças climáticas aumentarão os
desastres naturais tornando ainda maior o risco de acidentes em
usinas nucleares.
Em fevereiro desse ano o Greenpeace lançou, em parceria com o
Grupo de Engenharia de Energia e Automação de Elétricas da Escola
Politécnica da USP, o relatório
Revolução Energética que mostra como é possível até 2050 suprir
a demanda energética brasileira e mundial sem utilizar a energia
nuclear ou outras fontes sujas e ainda economizando anualmente R$
117 bilhões no final do período.
PARTICIPE:
Diga não à energia nuclear - envie uma mensagem pedindo que Lula
desista da construção de Angra 3