Incineração não é a solução

Notícia - 13 - jul - 2003
No dia internacional contra a queima de resíduos, centenas de organizações ao redor do mundo dirão não à incineração

Organizações ambientais, em conjunto com diversos grupos comunitários ao redor do mundo promovem hoje o Dia Internacional Contra a Incineração. O objetivo é induzir os governos a colocarem um sinal vermelho para esse tipo de tecnologia poluidora, e ao mesmo tempo promoverem sistemas de gerenciamento de resíduos (lixo) que sejam sustentáveis. Protestos públicos, abaixo-assinados, divulgação de informações e outros eventos serão realizados em vários países.

As manifestações coincidem com o início da sétima reunião do INC (Comitê Intergovernamental de Negociações) sobre a Convenção de Estocolmo, que trata dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). O encontro será realizado em Genebra, Suíça, até 18 de julho. Esse tratado, assinado por 151 países, inclusive o Brasil, tem o objetivo de inicialmente pôr fim à fabricação e utilização de 12 substâncias tóxicas, os chamados "Doze Sujos". Entre elas, estão as dioxinas e os furanos, substâncias potencialmente cancerígenas.

A Convenção classifica os incineradores de resíduos e os fornos de cimento para co-geração de energia por meio da queima de resíduos, como sendo uma das principais fontes de dioxinas, furanos e PCBs ("Polychlorinated Biphenuyls"). Além disso, recomenda o uso de tecnologias alternativas para evitar a geração desses subprodutos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) reportou que os incineradores são a fonte de mais de 60% das emissões mundiais de dioxinas.

De acordo com a Aliança Global Contra os Incineradores (GAIA/Global Anti-Incinerator Alliance-), da qual o Greenpeace faz parte, e que é a responsável pela organização das manifestações, os objetivos da Convenção de Estocolmo reforçam que a incineração é um sistema de gerenciamento de resíduos insustentável, principalmente para os países que assinaram o documento.

O governo brasileiro também deve fazer sua parte, não permitindo que sistemas de incineração sejam implantados no país, e ratificando a Convenção de Estocolmo. "O governo Lula deve enviar o documento da Convenção para votação pelo Congresso Nacional. Esse, por sua vez deve ratificar a Convenção, ou seja aprová-la, para que ela se torne lei no nosso país", disse John Butcher, responsável pela campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace Brasil.

As emissões tóxicas, que são liberadas mesmo pelos incineradores mais modernos (nenhum processo de incineração opera com 100% de eficácia), são constituídas por três tipos de poluentes altamente perigosos para o ambiente e para a saúde humana: os metais pesados, os produtos de combustão incompleta e as substâncias químicas novas, formadas durante o processo de incineração. "A incineração não tem lugar em um futuro sustentável", afirmou Butcher. "Esse processo anda na contramão de qualquer iniciativa de redução na fonte, reutilização e reciclagem de resíduos. A incineração é deseducação. A incineração não é a solução", disse.

No Brasil, outras organizações, como a ACPO (Associação de Combate aos POPs/ Associação de Consciência à Prevenção Ocupacional), e outras redes, como o Fórum Lixo e Cidadania de São Paulo, trabalham para pôr fim à incineração no país.

O Greenpeace Brasil trabalha em conjunto com essa entidades para que os incineradores sejam banidos do país, por meio da proibição desse tipo de sistema de gerenciamento pelo próprio Projeto de Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, ou por meio de leis específicas que proíbam a incineração. A organização trabalha também pela produção limpa e pelos sistemas de gestão de resíduos que sejam limpos e sustentáveis. Mais informações sobre o tema estão disponíveis no site da organização.

Incineração não é a solução! - factsheet (arquivo pdf)

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