Notícia - 30 - mai - 2007
A indústria da soja no Brasil pretende incluir em sua política empresarial para a próxima safra a decisão de não financiar produtores que tenham promovido novos desmatamentos na Amazônia.
A intenção foi anunciada no dia 30 de maio por representantes
das traders de soja, durante reunião da coordenação do Grupo de
Trabalho da Soja (GTS), realizado em Brasília. O GTS, que reúne a
Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), a
Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais),
representantes de empresas comercializadoras de soja, ONGs e
movimentos sociais, foi criado a partir da campanha do Greenpeace e
entidades do setor social contra a expansão da soja na
Amazônia.
As traders começam em breve a negociar os contratos de
pré-financiamento da safra 2007-2008 com os produtores rurais da
Amazônia e pretendem informar os fazendeiros durante o processo de
negociação. "Essa intenção representa um passo importante do setor
de comercialização da soja para consolidar a moratória anunciada
pelas empresas em julho de 2006", disse o diretor da Campanha
Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário, observando que "as traders e
suas entidades de representação já haviam anunciado a inclusão, nos
contratos de compra de soja, da exigência de banimento do trabalho
escravo ou desumano". Segundo Adário, que avalia como muito
positivos os passos dados até agora por empresas e ONGs envolvidas
no GTS - que incluem a definição de um sistema da mapeamento e
monitoramento do desmatamento para o agronegócio da soja -, o
desafio que ainda precisa ser vencido é a inexistência de um
cadastro geo-referenciado em mapas das propriedades rurais da
Amazônia.
No dia anterior, técnicos de agências do governo federal se
reuniram com o subgrupo técnico de mapeamento e monitoramento do
GTS para analisar as áreas de cooperação do governo com os grupos
envolvidos na implementação da moratória da soja. A participação do
governo na moratória da soja foi assegurada durante reunião
realizada na Casa Civil da Presidência de República, no último dia
16 de maio. Estiveram na reunião o subgrupo de articulação
institucional do GTS (composto por Abiove e Greenpeace) e
representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério
do Meio Ambiente (MMA), Centro Gestor e Operacional do Sistema de
Proteção da Amazônia (Censipam), Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra), Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), além de integrantes da Casa Civil liderados
pelo sub-chefe adjunto, Johaness Eck.
Naquela reunião, os órgãos do governo federal se comprometeram a
apresentar em agosto o mapa do bioma Amazônia em escala 1:250 mil
nas áreas prioritárias onde há plantio de soja. O mapa existente
está na escala 1:5 milhões, que não permite análise adequada de
desmatamentos em propriedades rurais. O Inpe, por sua vez, anunciou
que vai disponibilizar os dados de satélite do desmatamento no
período de entrada em vigor da moratória.
Para Adário, a integração prática do governo federal ao processo
da moratória é um passo muito importante para o real ordenamento do
uso do solo na fronteira da devastação e inibir a conversão de
florestas em lavoura para soja e outros grãos.