Manifestantes entregam no consulado japonês em São Paulo petição com 2,5 mil cartas assinadas.
Manifestantes do Greenpeace entregaram nesta quinta-feira, no
consulado japonês do Brasil, em São Paulo uma petição assinada por
2,5 mil internautas brasileiros pedindo a liberação imediata de
dois ativistas do grupo ambientalistas presos no Japão. As
autoridades diplomáticas japonesas, no entanto, não receberam o
documento, que ficou na portaria do consulado. A petição será
encaminhada à Embaixada do Japão, em Brasília.
Os ativistas foram detidos na semana passada acusados de
roubo após denunciarem o contrabando de carne de baleia por
tripulantes do navio-fábrica Nisshin Maru, que participa da caça na
Antártica.
A manifestação realizada na Avenida Paulista faz parte de um
esforço global que já mobilizou mais de 140 mil pessoas em todo o
mundo.
Você também pode ajudá-los: participe de nossa ciberação em
defesa da liberação dos ativistas. Agora com a ajuda do Sr. Calças
Molhadas
Junichi Sato, 31, e Toru Suzuki, 41, foram presos em Tóquio na
sexta-feira (20/6) acusados de roubar a caixa com 23,5 kg de carne
de baleia, avaliada em US$ 3.000. A caixa foi interceptada para ser
entregue às autoridades locais como prova da existência de
ilegalidades no Programa Baleeiro Japonês no Oceano Antártico
(Jarpa). O produto seria entregue na casa de um dos tripulantes do
navio-fábrica Nisshin Maru, que participa da caça a baleias na
Antártica.
Os ativistas fazem parte da equipe do Greenpeace que, ao longo
de quatro meses,investigou denúncias sobre ilegalidades no
programa científico, que estaria sendo usado como disfarce
para a caça comercial. As investigações resultaram em um dossiê detalhado, entregue a
Procuradoria Pública de Tóquio no dia 15 de maio, juntamente com
uma peça chave da evidência: a caixa de carne de baleia
interceptada pelos ativistas.
No dia da prisão de Sato e Suzuki, o escritório do Greenpeace no
Japão foi revistado por mais de 10 horas. Nesse período, ninguém
foi autorizado a usar o telefone e as conversas entre os
funcionários do escritório foram proibidas. A operação policial
realizada às vésperas da reunião anual da Comissão Internacional Baleeira
(CIB), que acontece no Chile, foi absolutamente
desproporcional à acusação.
"Os dois já haviam, voluntariamente, prestado depoimento na
polícia e se colocado à disposição para esclarecimentos. O objetivo
das autoridades japonesas com certeza era intimidar o Greenpeace e
abafar as investigações sobre o contrabando de carne de baleia",
disse Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Baleias do
Greenpeace Brasil que participa do encontro da CIB no Chile.
O Programa Baleeiro Japonês está registrado na Agência de Pesca
como atividade de natureza científica, embora a comunidade
internacional já tenha identificado o programa como um disfarce
para a caça comercial. A CIB já condenou o programa repetidas vezes
e pediu a interrupção de suas atividades. O Japão, no entanto, tem
ignorado sistematicamente os apelos da comunidade
internacional.
"Na reunião da CIB de ontem (quarta-feira, 25/6), representantes
do Japão fizeram uma apresentação sobre a caça científica, mas
nenhum resultado consistente foi apresentado. O que reforça mais
uma vez as impressões da comunidade internacional", diz
Leandra.
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