Fumaça proveniente das queimadas para limpar a terra para pecuária ou agricultura. O crescimento da pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento do país e também a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa.
Investigações de três anos do Greenpeace sobre a indústria da
pecuária brasileira revelam que marcas de fama mundial como Nike,
Adidas, BMW, Gucci, Timberland, Honda, Wal Mart e Carrefour
impulsionam, involuntariamente, o desmatamento da Amazônia. A
pecuária brasileira é hoje o maior vetor de desmatamento no mundo e
a principal fonte de emissões de gases do efeito-estufa do Brasil.
O estudo do Greenpeace revela também que, nessa missão de
devastação, a pecuária conta com um sócio inusitado, que tem entre
suas atribuições zelar pela conservação da floresta amazônica: o
Estado brasileiro.
O incentivo de sucessivos governos brasileiros ao desmatamento
da Amazônia ganhou impulso durante a ditadura militar, nas décadas
de 60 e 70. Mas até recentemente, a substituição de floresta por
pasto era financiada por dinheiro público na forma de subsídios. No
governo Lula, o Estado, através do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social), transformou-se em sócio e
investidor direto de frigoríficos que, segundo a investigação do
Greenpeace, compram sua matéria prima de fazendas que desmatam
ilegalmente, põem seus bois para pastar em áreas protegidas e
terras públicas e utilizam mão de obra escrava.
O relatório A Farra do
Boi na Amazônia rastreou, pela primeira vez, a ligação da
carne, do couro e de outros produtos bovinos de fazendas envolvidas
com desmatamento ilegal, invasão de áreas protegidas e trabalho
escravo com marcas famosas como Adidas/Reebok, Timberland,
Carrefour, Honda, Gucci, IKEA, Kraft, Clarks, Nike, Tesco e
Wal-Mart.
Veja aqui reportagem feita pelo programa
Fantástico, da TV Globo, motivada pelo relatório.
"Marcas famosas de tênis, supermercados, automóveis e bolsas de
grife devem garantir que seus produtos não estão envolvidos com os
crimes praticados pela indústria pecuária brasileira", disse André
Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace."Práticas como essa põem em risco o futuro de
uma indústria importante para a economia brasileira. Combatê-las é
fundamental não apenas para o meio ambiente, mas também para
aumentar a competitividade da pecuária nacional aqui e no
exterior".
A investigação do Greenpeace mostra que o governo
Lula quer dominar o mercado global de produtos pecuários em geral e
dobrar a participação brasileira no mercado internacional de carne
até 2018. Para auxiliar a expansão do setor, o governo federal está
investindo em todos os elos da cadeia de abastecimento - desde a
produção nas fazendas até o mercado internacional. Em troca do
financiamento público, o governo se tornou acionista de três
gigantes da indústria brasileira de pecuária - Bertin, JBS e
Marfrig, responsáveis por alimentar a destruição de grandes áreas
da Amazônia.
Veja fotos na nossa galeria do Flickr:
"O governo Lula está cumprindo a profecia do General Garrastazu
Médici, que dizia que a Amazônia seria ocupada pela pata do boi",
disse Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.
"Ao financiar a destruição, o governo dá um sinal
claro de que já fez sua opção pelo velho modelo desenvolvimentista
de ocupação da região praticado pelos militares durante a ditadura,
ao mesmo tempo em que tenta posar de bom-moço nos fóruns
internacionais".
Entre 2007 e 2009, as cinco maiores empresas da indústria
pecuária brasileira, responsáveis por mais de 50% das exportações
de carne do país, receberam US$ 2,65 bilhões do BNDES. Os três
frigoríficos que receberam a maior parte do investimento público
foram a Bertin, uma das maiores comercializadoras de couro do
mundo; a JBS, a maior comercializadora de carne, com controle de
pelo menos 10% da produção global; e a Marfrig, a quarta maior
comercializadora de carne do planeta.
A expansão da pecuária no Brasil está concentrada na Amazônia. O
maior incentivo econômico para esta expansão é a falta de
governança. A frágil presença do Estado na região significa, na
prática, terra e mão-de-obra baratas. O resultado é que a pecuária
ocupa, atualmente, cerca de 80% de todas as áreas desmatadas na
Amazônia. O país é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito
estufa, principalmente por causa da destruição da floresta.
"A expansão do gado na Amazônia está
transformando a região num verdadeiro abatedouro de árvores,
dificultando a habilidade do país em cumprir sua meta de reduzir em
72% o desmatamento até 2018", disse Muggiati.
Assista ao vídeo da reportagem
realizada pelo Fantástico:
A publicação do relatório do Greenpeace se dá no momento em que
a bancada ruralista está encabeçando uma ofensiva no Congresso
Nacional para enfraquecer a legislação florestal brasileira e
legalizar o aumento do desmatamento. "Não adianta bancar o líder
nas negociações internacionais se, dentro de casa, o governo apóia
o pacote de maldades do setor do agronegócio, que ainda opõe
desenvolvimento econômico à proteção ambiental. É preciso olhar
para frente e usar a atual crise climática como a melhor
oportunidade de construir uma economia de baixo carbono para o
Brasil", completou Adario.
Durante as próximas duas semanas está sendo realizada em Bonn
(Alemanha) a segunda rodada de negociações internacionais que vão
culminar na conferência do clima da ONU, a ser realizada em
dezembro, em Copenhague (Dinamarca), quando líderes mundiais devem
fixar metas para reduzir drasticamente as emissões globais de gases
do efeito estufa.
Baixe o relatório (PDF completo, em 4 partes,
em inglês) - ou o sumário executivo, em português.
Veja mais:
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Carrefour, Wal Mart e Pão de Açúcar parem de comprar destruição da
Amazônia