Boiada cruza a BR 163 na Serra do Cachimbo, em Novo Progresso (PA).
A empresa, terceira maior do Brasil e a maior exportadora de
produtos bovinos do mundo, disse ainda que irá tirar da sua lista
de fornecedores fazendas envolvidas com trabalho escravo, ou
flagradas criando gado dentro de Terras Indígenas ou Unidades de
Conservação.
"Pelo porte da JBS-Friboi, seu compromisso com o desmatamento
zero na Amazônia contribuirá para reduzir a imensa pressão que o
setor pecuário exerce sobre floresta, além de forçar seus milhares
de fornecedores a cumprir a legislação fundiária e ambiental e a
respeitar a biodiversidade e os direitos dos povos indígenas da
região" disse Márcio Astrini, da Campanha Amazônia do
Greenpeace.
A decisão da empresa inclui a obrigação de, num prazo de seis
meses, implantar mecanismos de rastreabilidade baseados no
mapeamento da produção do gado e excluir, da sua lista de
fornecedores, qualquer fazenda vendedora direta de bois para abate
(fazenda de engorda) que tenha desmatado no bioma Amazônia depois
de 23 de setembro deste ano. Para as fazendas de cria e recria, que
fornecem reses para a engorda, o prazo para a implantação do mesmo
sistema de rastreabilidade será de dois anos.
Antes da JBS-Friboi, dois outros grandes frigoríficos
brasileiros, Marfrig e Bertin, também tinham assumido o compromisso
em favor do desmatamento zero. Na semana passada, a JBS anunciou a
sua fusão com a Bertin. As duas empresas, combinadas, tem
capacidade para abater 40 mil cabeças de gado por dia no país.
A adesão dos frigoríficos à política pelo fim do desmatamento
da Amazônia veio na esteira do relatório do Greenpeace "A Farra do
Boi na Amazônia", mostrando como a pecuária se transformou no
principal agente de derrubada da floresta na região Norte do país.
Lançado no dia 1º de junho, o relatório mobilizou grandes
compradores internacionais de produtos bovinos brasileiros, que
deixaram claro para os frigoríficos que não aceitariam trabalhar
com fornecedores envolvidos com a devastação da Amazônia.
No Brasil, os principais supermercados, logo depois do
lançamento do relatório do Greenpeace, assumiram uma posição em
favor do fim do avanço da pecuária sobre a floresta amazônica. Mas
até agora, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) não
firmou um compromisso claro com a política de desmatamento zero. "O
anúncio da JBS-Friboi pressiona a ABRAS a se comprometer com o fim
do desmatamento da Amazônia", disse Astrini. "Ela também acelera a
modernização do setor agropecuário no país, fortalecendo inclusive
a sua capacidade de competição em mercados internacionais. Os
frigoríficos e varejistas de menor porte, da mesma forma, serão
estimulados a seguir o mesmo acordo, sob pena de ficarem sem ter a
quem vender não só lá fora, mas aqui no Brasil também".