Rafael Ventura e Maíra Fainguelernt, os dois jovens brasileiros em Copenhague
Nascidos em países completamente distintos, como Rússia e
Brasil, ou culturalmente semelhantes, como Áustria e Alemanha, os
34 jovens que de hoje (30/11) até 6 de dezembro ocuparão a
principal praça da capital dinamarquesa têm pelo menos duas coisas
em comum: são voluntários do Greenpeace e se preocupam não só com o
próprio futuro, mas com o futuro da humanidade.
Para sensibilizar os governantes a tomarem medidas contundentes
de combate às mudanças climáticas na reunião da ONU, que tem início
no dia 7 de dezembro, o grupo fará uma série de atividades de
mobilização popular e uma via sacra pelas embaixadas dos países
representados por eles.
A visita de Rafael Ventura e Maíra Fainguelernt, os dois jovens
brasileiros em Copenhague, à embaixada está marcada para a
sexta-feira (6/11). "Queremos pedir que os embaixadores influenciem
seus países para que tenham na mesa de negociação uma postura de
responsabilidade com o nosso futuro", diz Maíra. "No caso do
Brasil, o que queremos é que o país assuma compromisso com o
desmatamento zero até 2015; pelo menos 25% de energias renováveis,
como solar e eólica na matriz energética e 30% de áreas marinhas
protegidas", completa, Rafael.
Para a negociação de modo geral, o Greenpeace espera cortes
significativos nas emissões dos países ricos; um fundo para salvar
nossas florestas e fundos para ajudar países em desenvolvimento. A
última atividade do grupo será recepcionar os embaixadores em uma
visita guiada pelo navio Rainbow Warrior.
Quem é Rafael Ventura - Com 20 anos, Rafael já pode ser
considerado um veterano entre os voluntários do Greenpeace. Tem
sete anos de ativismo. Ele chegou à organização por meio do
programa Cidade Amiga da Amazônia.
Curioso, depois de ver em um carro um adesivo do Greenpeace foi
navegar na internet para saber do que se tratava. A pesquisa pelas
páginas da organização o levou ao projeto que consistia em levar
prefeituras a assumir o compromisso de não comprar madeiras de
desmatamento.
Rafael aproveitou um evento em que o prefeito de sua cidade,
Ribeirão Pires, recebeu alguns moradores para uma conversa e levou
o material do Cidade Amiga da Amazônia. A essas alturas, ele já
frequentava as páginas dos jornais locais defendendo a
proposta.
Em novembro de 2005, ainda sem pertencer ao grupo de
voluntários, Rafael comemorava com o Greenpeace a adesão de
Ribeirão Pires ao programa. "Na época, o Greenpeace nem tinha um
grupo de voluntários. Quando abriu, o coordenador lembrou de mim e
me convidou para participar", lembra. Rafael contagiou a família e
levou a tia para participar também. Hoje ela é coordenadora do
grupo de São Paulo.
Quem é Maíra Fainguelernt - Foi uma espécie de solidão
que levou a carioca Maíra ao Greenpeace. "Eu queria fazer alguma
coisa para ajudar a construir um mundo melhor, mas achava muito
difícil fazer isso sozinha. No Greenpeace, eu encontrei outras
pessoas com o mesmo interesse e juntos temos força para fazer
mais", diz.
Filha de um artista plástico e uma psicóloga, Maira conta que
mudar o mundo é um assunto recorrente na família. "Meus país eram
hippies, também acreditavam que podiam mudar o mundo", diz.
Maíra tem 24 anos é geógrafa e mestranda em ciência
ambiental.