Notícia - 9 - jun - 2005
Um tribunal alemão determinou hoje em Colônia que a gigante da
biotecnologia, Monsanto, publique um de seus relatórios
confidenciais sobre o impacto do milho transgênico em ratos. A
empresa tentou impedir a divulgação do documento de 1000 páginas,
mas as atenções internacionais se voltaram para ele após
informações publicadas pelo jornal britânico Independent On Sunday,
no dia 22 de abril
O Greenpeace pediu para ter acesso ao documento com base em uma
lei européia que garante que o público tem o direito de conhecer
todos os documentos relacionados com a avaliação de riscos de
plantas transgênicas. Depois que as autoridades alemãs autorizaram
o acesso ao documento, a Monsanto entrou com um processo legal
contra o governo, numa tentativa de barrar a divulgação de seu
conteúdo. Entretanto, o Greenpeace se uniu ao governo alemão neste
caso e, com a decisão de hoje, o estudo original será
disponibilizado para conhecimento público.
"Essa é uma vitória importante - tanto para o Greenpeace quanto
para as pessoas. A estratégia da Monsanto de manter segredo e de
não ter transparência em seus atos falhou. Agora o documento poderá
ser objeto de investigações independentes", disse Christoph Then,
da campanha internacional de engenharia genética do Greenpeace.
O referido estudo sobre impactos nos ratos encontrou efeitos
significativos no sangue e nos órgãos desses animais alimentados
com o milho transgênico MON863, fabricado pela Monsanto. Diversos
cientistas em toda a Europa que viram o estudo expressaram
preocupação sobre as implicações dessa variedade de milho na saúde
e na segurança alimentar. A multinacional não questiona a
existência de conseqüências significativas sobre a saúde dos ratos,
mas declara que os efeitos não foram causados pelo milho
transgênico. No entanto, de acordo com a opinião de vários
especialistas, as explicações da Monsanto não são suficientes para
que as preocupações levantadas sejam apagadas.