que permite a liberação do plantio e da comercialização de
transgênicos sem a realização dos devidos estudos de impacto
ambiental. O Greenpeace acredita que a regulamentação dos
organismos geneticamente modificados deveria garantir a segurança
do meio ambiente e da população. Entre os riscos que os
transgênicos representam para o meio ambiente, estão a poluição
genética (1), a perda de biodiversidade (2), o surgimento de ervas
daninhas resistentes a herbicidas e o aumento do uso de agrotóxicos
(2). Além disso, o Projeto de Lei retira as competências dos
ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde de decidir
sobre a liberação ou não de qualquer variedade transgênica,
concentrando nas mãos de poucos membros da CTNBio o poder decisório
sobre a liberação de organismos geneticamente modificados.
Com esta atitude, Lula também desrespeitou a vontade de mais de
80% da população brasileira (4), que se mostrou contrária à
liberação dos transgênicos sem que estudos prévios de impacto no
meio ambiente e na saúde humana fossem realizados. Entretanto, a
liberação comercial dos transgênicos não representa o fim da
resistência aos organismos geneticamente modificados. "Os
brasileiros que não querem os transgênicos no seu prato podem
exercer pressão sobre as indústrias de alimentos. A mobilização dos
consumidores pode mudar a posição de empresas, agricultores,
repercutindo inclusive sobre relações comerciais internacionais",
disse Gabriela Couto, coordenadora da campanha de consumidores do
Greenpeace Brasil.
"Na ausência do Estado, chamamos a sociedade civil para reagir
contra o poder corporativo nas duas pontas da cadeia produtiva. O
agricultor brasileiro tem a capacidade de oferecer soja
convencional, produzida sem a destruição da Amazônia e sem o
pagamento de royalties; e os mercados nacional e internacional que
não querem transgênicos podem garantir a demanda estável e
crescente", disse Ventura Barbeiro, engenheiro agrônomo da campanha
de engenharia genética do Greenpeace.
O Greenpeace junto com outras ONGs e entidades da sociedade
civil divulgaram hoje uma nota à imprensa repudiando a atitude do
presidente Lula. Clique aqui e veja íntegra da nota à
imprensa.
Notas
(1) A convivência entre plantas convencionais e plantas
transgênicas gera grandes prejuízos para os agricultores
convencionais, devido o problema da contaminação genética. Clique aqui para mais detalhes.
(2) O uso de plantas transgênicas nos EUA e Argentina está
colocando em risco a sustentabilidade da produção agrícola e
causando alterações na biodiversidade desses países. Clique aqui para mais detalhes.
(3) O uso de plantas transgênicas ao longo de nove anos na
agricultura norte americana gerou redução no uso de agrotóxicos
apenas nos três primeiros anos, a partir do quarto ano houve um
aumento progressivo na quantidade de herbicidas usado e nos últimos
três anos o uso de soja transgênica foi a principal causa do
aumento de uso de agrotóxicos nos EUA. Clique aqui para mais detalhes.
(4) Pesquisa qualitativa do ISER - Instituto de Estudos da
Religião, realizada em maio de 2004, em 6 capitais brasileiras. Clique aqui para acessar a pesquisa na
íntegra.