Óleo derramado pelo Prestige atinge a costa francesa

Notícia - 2 - jan - 2003
Por Bruno Rebelle, diretor-executivo do Greenpeace França

Desde o início do ano, manchas de óleo provenientes do Prestige estão chegando às praias da França, na costa compreendida entre La Rochelle (norte) e Bordeaux (sul). Não chega a ser uma contaminação em larga escala, como ocorreu na Espanha, mas o grande número de pequenas manchas de óleo é também extremamente prejudicial ao meio ambiente.

Isto não chega a ser uma surpresa. Desde o naufrágio do Prestige nós já havíamos advertido sobre o risco de contaminação da costa francesa, tendo em vista as correntes marítimas do Golfo de Biscaia. A poluição não chega a ter as mesmas proporções do vazamento de óleo do Érika em 1999. O problema agora, no entanto, é que o óleo do Prestige continua vazando, e assim deve continuar por algum tempo, prolongando o problema por algumas semanas, talvez meses.

As autoridades francesas estão preparadas para lidar com a situação. Para a limpeza das praias neste caso não é necessário um grande número de pessoas trabalhando ao mesmo tempo, mas são necessárias inspeções regulares e intervenções onde for necessário. Uma limpeza inadequada ou excessiva da areia pode destruir o frágil ecossistema das praias. Mas ainda permanece o risco de que manchas maiores atinjam algumas áreas, causando grandes prejuízos. Extensas manchas de óleo foram identificadas a cerca de 100 km da praia nos últimos dias.

Qual a posição do Greenpeace?

- O trabalho de vigilância das praias deve ser feito de modo que as pessoas e os recursos necessários para limpar as áreas afetadas sejam acionados o mais rápido possível. Todo trabalho de limpeza deve ser conduzido de maneira cautelosa, de forma a não prejudicar ainda mais o ecossistema.

- A vigilância da costa marítima deve ser reforçada de forma a localizar possíveis manchas de óleo aproximando-se das praias.

- O Presidente Chirac deve formalizar uma queixa - conforme prometido - contra os proprietários do navio Prestige e de sua carga, para que seja esclarecida a responsabilidade sobre esta nova poluição.

- O governo francês deve dar continuidade às alterações das leis de responsabilidade em relação ao transporte de petróleo, de forma a responsabilizar e punir mais severamente os culpados como o que foi feito pelo governo dos EUA após o vazamento do petroleiro Exxon Valdez no Alasca em 1989.

Tópicos