
Resta menos de uma semana para conferir a mais
famosa exposição de fotojornalismo do mundo: a World Press Photo
2006. Sediada no Sesc Pompéia, na capital paulista, a 49ª edição
anual desta mostra é gratuita e acontece somente até o próximo
domingo, dia 11. Neste ano, 4.448 fotógrafos profissionais, de 122
países, enviaram 83.044 imagens de todo o mundo sobre fome guerra,
desastres naturais, conflitos políticos etc.
Dentre as 205 imagens que fazem uma retrospectiva dos maiores
acontecimentos de 2005, o Brasil é retratado através das
composições feitas pelo fotógrafo espanhol Daniel Beltrá para o
Greenpeace. A série sobre a seca na região Amazônica principalmente
nos meses de setembro e outubro foi premiada com o terceiro lugar
na categoria Natureza.
As fotos mostram navios encalhados em bancos de areia onde antes
corriam extensos rios, milhares de peixes mortos em rios quase
secos, o isolamento de comunidades que dependem do transporte
fluvial - uma realidade desértica triste e quase inimaginável para
a maior floresta tropical do mundo, uma das mais úmidas e com
grande abundância de rios.
As imagens registradas chocaram o mundo. "As pessoas
simplesmente não acreditavam que aquela paisagem de deserto era
mesmo a Amazônia. Isso fez com que o problema desta seca ganhasse
uma dimensão bem maior, em todos os continentes", afirma
Beltrá.
Beltrá
Nascido em Madri, Daniel Beltrá ganhou sua primeira câmera
fotográfica aos 12 anos. Apesar de ter iniciado o curso de biologia
na universidade em 1987, a paixão pela fotografia foi mais forte e,
no ano seguinte, ele começou a trabalhar para diferentes agências,
revistas e jornais da Espanha. "Como eu chegava antes dos outros
fotógrafos para cobrir os ataques do ETA - grupo terrorista
espanhol - a EFE, agência espanhola de notícias, resolveu me
contratar. Eu comecei a trabalhar cada vez mais para eles e para a
Gama, da França, para a qual eu fui correspondente na Espanha de
1992 a 2001", declara ele, do alto de seus 18 anos de
profissionalismo. Da Intifada em Israel à missão das Nações Unidas
para a Guatemala, e outras importantes coberturas para agências de
notícias, Beltrá cobriu também esporte, turismo, artes etc. "Nestas
agências, faz-se de tudo..." , explica.
Em 1999, Beltrá convenceu sua agente a enviá-lo para uma
expedição do Greenpeace. Ele embarcou em um dos navios da
organização para cobrir uma campanha no Mar Mediterrâneo e, depois
disso, nunca mais parou de trabalhar para a organização. "O
Greenpeace me proporcionou uma ótima oportunidade de combinar duas
antigas paixões: o interesse pela natureza e a fotografia. Mais que
mostrar à beleza, com meu trabalho, pretendo explicitar o delicado
equilíbrio que existe entre o homem e a natureza e a necessidade de
nos conscientizarmos sobre o impacto de um sobre o outro", declara
Beltrá.
Com seu trabalho sobre a seca na Amazônia, Beltrá também ganhou
o primeiro prêmio do Prêmio Internacional de Fotojornalismo da
China 2005, na categoria Meio Ambiente e Natureza. Atualmente, além
de trabalhar para o Greenpeace, ele também fotografa para a agência
Zuma, dos Estados Unidos.
Saiba mais sobre o trabalho de Daniel Beltrá em www.danielbeltra.com
SERVIÇO:
A World Press Photo 2006 termina no dia 11 de junho, próximo
domingo. A exposição fica aberta de terça a sábado, das 9h às 22h,
e domingos e feriados, das 9h às 20h. O Sesc Pompéia fica na Rua
Clélia, 93, na Pompéia, São Paulo. Telefone (11) 3871-7700.