Os ativistas realizaram em Londres uma partida de futebol, com uma faixa estendida que dizia para Lula “GOL! Vá para Copenhague”
O Greenpeace fez hoje um protesto na Inglaterra para cobrar do
presidente Lula que assuma a posição de centroavante no combate ao
aquecimento global e aja de fato como líder global. Os ativistas
realizaram uma partida de futebol, com uma faixa estendida que
dizia "GOL! Vá para Copenhague", referência à cidade que sediará a
15ª Conferência do Clima da ONU (COP15), em dezembro.
O protesto ocorreu horas antes de Lula receber, em Londres, o
Prêmio Chatham House por sua contribuição para as relações
internacionais. Ele jogou com os ativistas, concordou com a
importância de os líderes mundiais formarem um time campeão para
participar da conferência e disse que conversará sobre isso com
seus pares, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente
americano, Barack Obama.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já assumiu sua
posição nesse time, mas o presidente brasileiro ainda não. O
governo brasileiro se esquiva continuamente de apresentar metas
efetivas e ambiciosas de redução de emissões de gases do efeito
estufa, que provocam o aquecimento global. Na última terça-feira
(3/11), o presidente adiou o anúncio de sua posição em duas
semanas.
"O fato de Lula concordar que os líderes devem ir para
Copenhague precisa ser sedimentada com sua própria confirmação e
com o anúncio de metas ambiciosas para o país. O Brasil pode voltar
a ser uma peça-chave nas negociações sobre clima ao se comprometer
com metas internacionais", diz Gabriela Vuolo, coordenadora de
mobilização da campanha de clima do Greenpeace.
Para reduzir suas emissões de gases-estufa, o Brasil precisa
zerar o desmatamento até 2015, garantir que pelo menos 25% da
eletricidade gerada venha de novas fontes renováveis e proteger 30%
de sua zona costeira.
Até o momento, o governo anunciou apenas sua intenção de reduzir
o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 - o que significa, na
prática, cerca de 1,5 bilhão de árvores a menos na floresta em
comparação com a meta de desmatamento zero. "É difícil acreditar
nesse número enquanto o Congresso Nacional discute destruir o
Código Florestal. É sempre a mesma história: um discurso
internacional pomposo e completamente desconectado da agenda
nacional perversa", afirma Vuolo.
Desde o início da semana, acontece em Barcelona, na Espanha, a
última rodada das negociações entre os países antes da COP15. No
entanto, as diferenças entre as posições apresentadas pelas
delegações e a falta de metas ambiciosas e de suporte financeiro
para os países em desenvolvimento travam as discussões. "Não
podemos nos esconder atrás da inação dos países industrializados.
Quando nações como os Estados Unidos sugerem segurar as negociações
por mais um ano, é o momento de os líderes mundiais, posição que
Lula almeja, realmente fazerem a diferença e alcançarem um acordo",
diz Vuolo.