Lula bate bola com Greenpeace em Londres

Notícia - 5 - nov - 2009
Presidente brasileiro concorda que líderes mundiais devem participar da Conferência do Clima, em Copenhague, mas ele mesmo ainda não confirmou presença no time

Os ativistas realizaram em Londres uma partida de futebol, com uma faixa estendida que dizia para Lula “GOL! Vá para Copenhague”

O Greenpeace fez hoje um protesto na Inglaterra para cobrar do presidente Lula que assuma a posição de centroavante no combate ao aquecimento global e aja de fato como líder global. Os ativistas realizaram uma partida de futebol, com uma faixa estendida que dizia "GOL! Vá para Copenhague", referência à cidade que sediará a 15ª Conferência do Clima da ONU (COP15), em dezembro.

O protesto ocorreu horas antes de Lula receber, em Londres, o Prêmio Chatham House por sua contribuição para as relações internacionais. Ele jogou com os ativistas, concordou com a importância de os líderes mundiais formarem um time campeão para participar da conferência e disse que conversará sobre isso com seus pares, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente americano, Barack Obama.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já assumiu sua posição nesse time, mas o presidente brasileiro ainda não. O governo brasileiro se esquiva continuamente de apresentar metas efetivas e ambiciosas de redução de emissões de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. Na última terça-feira (3/11), o presidente adiou o anúncio de sua posição em duas semanas.

"O fato de Lula concordar que os líderes devem ir para Copenhague precisa ser sedimentada com sua própria confirmação e com o anúncio de metas ambiciosas para o país. O Brasil pode voltar a ser uma peça-chave nas negociações sobre clima ao se comprometer com metas internacionais", diz Gabriela Vuolo, coordenadora de mobilização da campanha de clima do Greenpeace.

Para reduzir suas emissões de gases-estufa, o Brasil precisa zerar o desmatamento até 2015, garantir que pelo menos 25% da eletricidade gerada venha de novas fontes renováveis e proteger 30% de sua zona costeira.

Até o momento, o governo anunciou apenas sua intenção de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 - o que significa, na prática, cerca de 1,5 bilhão de árvores a menos na floresta em comparação com a meta de desmatamento zero. "É difícil acreditar nesse número enquanto o Congresso Nacional discute destruir o Código Florestal. É sempre a mesma história: um discurso internacional pomposo e completamente desconectado da agenda nacional perversa", afirma Vuolo.

Desde o início da semana, acontece em Barcelona, na Espanha, a última rodada das negociações entre os países antes da COP15. No entanto, as diferenças entre as posições apresentadas pelas delegações e a falta de metas ambiciosas e de suporte financeiro para os países em desenvolvimento travam as discussões. "Não podemos nos esconder atrás da inação dos países industrializados. Quando nações como os Estados Unidos sugerem segurar as negociações por mais um ano, é o momento de os líderes mundiais, posição que Lula almeja, realmente fazerem a diferença e alcançarem um acordo", diz Vuolo.

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