Lula mostra sua verdadeira face ao receber Angela Merkel em Brasília

Notícia - 13 - mai - 2008
Um dia depois de perder sua ministra do Meio Ambiente, presidente faz propaganda dos biocombustíveis e retórica sobre Amazônia.

Angela Merkel em encontro com Lula em Brasília.

Um dia depois de Marina Silva deixar o ministério do Meio Ambiente, a chanceler alemã Angela Merkel  chegou ao Brasil para assinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um termo de compromisso para a criação de um Grupo de Trabalho para discutir critérios de sustentabilidade para a produção de biocombustíveis.  

Em seu discurso durante encontro com a primeira-ministra alemã, realizado nesta quarta-feira em Brasília, Lula mais uma vez fez propaganda dos biocombustíveis e retórica sobre a Amazônia. Mostrando que seu discurso está longe da prática, o presidente brasileiro falou em combate ao desmatamento na floresta amazônica depois de perder sua melhor aliada para essa tarefa, Marina Silva.

Na área de energia, ao mesmo tempo em que é firma um acordo para promover as energias renováveis e eficiência energética, Lula renovou o acordo nuclear Brasil-Alemanha. Isso só demonstra, mais uma vez, a esquizofrenia de seu governo, que de um lado busca tecnologias limpas para geração de energia e de outro caminhando na contramão da sustentabilidade, promovendo a energia nuclear, que é suja, cara e perigosa. A mesma Alemanha, por exemplo, tem compromisso governamental de desativar suas usinas nucleares nos próximos anos.

Merkel aproveitou a visita para convidar Lula a participar da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (CDB), que tem início na próxima semana, em Bonn, na Alemanha.

"Lula não tem o que fazer em Bonn, já que a saída de Marina Silva mostra que o país não leva a sério a agenda ambiental", disse Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.

"A chanceler Merkel visita um Brasil que parou na década de 1970, que acredita no desenvolvimento a qualquer custo no lugar do desenvolvimento sustentável e que está despreparado para enfrentar o mundo moderno".

Desde que assumiu a Presidência da República, Lula tem reforçado, em repetidas escolhas, o dogma que opõe o meio ambiente ao desenvolvimento econômico brasileiro - como a liberação dos transgênicos, a retomada da corrida nuclear brasileira com a construção de Angra 3 e as políticas esquizofrênicas para a Amazônia, ora promovendo o combate ao  desmatamento, ora estimulando o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta. Para o Greenpeace, Lula deveria trabalhar para aliar proteção ambiental e melhoria da qualidade de vida da população, por meio de geração de emprego e renda com o uso responsável dos recursos naturais.

O Greenpeace espera que, ao final da CDB em Bonn, os governos adotem iniciativas para aumentar o financiamento público global para a conservação da biodiversidade na ordem de 30 bilhões de euros por ano destinados à criação e implementação de uma rede de áreas protegidas terrestres e marinhas, além de zerar o desmatamento adotando metas de redução até 2015 e impedir que a produção dos biocombustíveis venha representar uma ameaça a biodiversidade por causa da conversão de habitats em plantação de soja na Amazônia, por exemplo, ou colocar em risco a produção de alimentos.

Governos também devem combater rigorosamente  a biopirataria através de um mandato claro sobre o acesso e repartição de benefícios da biodiversidade e adotar o princípio da precaução para impedir a liberação de qualquer espécie transgênica no meio ambiente.

"Os países industrializados, como a Alemanha, tem se beneficiado da exploração dos recursos florestais e marinhos há décadas", diz Martin Kaiser, coordenador político do Greenpeace.

"Agora, a chanceler Merkel, como presidente da CDB, deve dar um sinal claro para os países em desenvolvimento, liberando os 2 bilhões de euros anuais necessários para a conservação e uso responsável das florestas e dos oceanos".

Leia também:

Câmara aprova MP que facilita grilagem horas depois da saída de Marina Silva

De boas intenções, o PAS está cheio - conheça detalhes do pacotão do governo para a Amazônia. 

Brasil é denunciado por descumpri lei internacional de biossegurança.

Chinaglia e Garibaldi Alves recebem carta aberta contra projetos que ameaçam florestas brasileiras.

Audiência pública discute projeto Floresta Zero na Câmara.

Tópicos