Angela Merkel em encontro com Lula em Brasília.
Um dia depois de Marina Silva deixar o ministério do Meio
Ambiente, a chanceler alemã Angela Merkel chegou ao Brasil
para assinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um termo de
compromisso para a criação de um Grupo de Trabalho para discutir
critérios de sustentabilidade para a produção de biocombustíveis.
Em seu discurso durante encontro com a primeira-ministra alemã,
realizado nesta quarta-feira em Brasília, Lula mais uma vez fez
propaganda dos biocombustíveis e retórica sobre a Amazônia. Mostrando que
seu discurso está longe da prática, o presidente brasileiro falou
em combate ao desmatamento na floresta amazônica depois de perder
sua melhor aliada para essa tarefa, Marina Silva.
Na área de energia, ao mesmo tempo em que é firma um acordo para
promover as energias renováveis e eficiência energética, Lula
renovou o acordo nuclear Brasil-Alemanha. Isso só demonstra, mais
uma vez, a esquizofrenia de seu governo, que de um lado busca
tecnologias limpas para geração de energia e de outro caminhando na
contramão da sustentabilidade, promovendo a energia nuclear, que é
suja, cara e perigosa. A mesma Alemanha,
por exemplo, tem compromisso governamental de desativar suas usinas
nucleares nos próximos anos.
Merkel aproveitou a visita para convidar Lula a participar da
Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (CDB), que tem
início na próxima semana, em Bonn, na Alemanha.
"Lula não tem o que fazer em Bonn, já que a saída de Marina
Silva mostra que o país não leva a sério a agenda ambiental", disse
Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.
"A chanceler Merkel visita um Brasil que parou na década de
1970, que acredita no desenvolvimento a qualquer custo no lugar do
desenvolvimento sustentável e que está despreparado para enfrentar
o mundo moderno".
Desde que assumiu a Presidência da República, Lula tem
reforçado, em repetidas escolhas, o dogma que opõe o meio ambiente
ao desenvolvimento econômico brasileiro - como a liberação dos transgênicos, a retomada da
corrida nuclear brasileira com a construção de Angra 3 e as políticas
esquizofrênicas para a Amazônia, ora promovendo o combate ao desmatamento, ora
estimulando o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta. Para o
Greenpeace, Lula deveria trabalhar para aliar proteção ambiental e
melhoria da qualidade de vida da população, por meio de geração de
emprego e renda com o uso responsável dos recursos naturais.
O Greenpeace espera que, ao final da CDB em Bonn, os governos
adotem iniciativas para aumentar o financiamento público global
para a conservação da biodiversidade na ordem de 30 bilhões de
euros por ano destinados à criação e implementação de uma rede de
áreas protegidas terrestres e marinhas, além de zerar o
desmatamento adotando metas de redução até 2015 e impedir que a
produção dos biocombustíveis venha representar uma ameaça a
biodiversidade por causa da conversão de habitats em plantação de
soja na Amazônia, por exemplo, ou colocar em risco a produção de
alimentos.
Governos também devem combater rigorosamente a biopirataria
através de um mandato claro sobre o acesso e repartição de
benefícios da biodiversidade e adotar o princípio da precaução para
impedir a liberação de qualquer espécie transgênica no meio
ambiente.
"Os países industrializados, como a Alemanha, tem se beneficiado
da exploração dos recursos florestais e marinhos há décadas", diz
Martin Kaiser, coordenador político do Greenpeace.
"Agora, a chanceler Merkel, como presidente da CDB, deve dar um
sinal claro para os países em desenvolvimento, liberando os 2
bilhões de euros anuais necessários para a conservação e uso
responsável das florestas e dos oceanos".
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