Durante a caminhada Volta pelo Clima, voluntários do Greenpeace organizaram um banner humano com os dizeres Mude o Clima.
A declaração sobre a crise do clima assinada pelos líderes das
principais economias do mundo hoje, dia 9 de julho, em L'Aquila na
Itália, começa com uma afirmação grandiosa. "A mudanca climática é
um dos maiores desafios desta era", diz ela. Infelizmente, o resto
do texto não dá qualquer pista sobre como eles pretendem
enfrentá-la. O conteúdo da declaração é ora vago, ora tímido em
relação aos planos dos governos de Estados Unidos, Rússia, Brasil,
Inglaterra, Austrália, França, Itália, Austrália, Índia, China,
México, Africa do Sul, Indonésia e Japão para combater o
aquecimento global.
O texto revela também que os chefes de estado que formam o G5,
grupo de economias emergentes que tem à frente Brasil, Índia e
China, seguiram o caminho de seus colegas do G8, que reúne as
economias desenvolvidas, e optaram por abdicar do papel de liderar
o enfrentamento da crise climática. Até ontem, o G5 insistia que os
países desenvolvidos, responsáveis pelo maior volume de emissões,
deveriam cortá-las em até 40%. No entanto, ao assinarem um texto
que não se compromete com metas de redução claras e tampouco dá
números ou ordem de grandeza dos investimentos necessários para
encarar a crise do clima, os governantes dos países em
desenvolvimento dão mostras de que preferem, ao invés de forçar
soluções, virar parte do problema.
"O Brasil e outros países em desenvolvimento adotaram o discurso
de que o principal obstáculo para reverter a atual ameaça climática
são os países ricos", diz Marcelo Furtado, diretor-executivo do
Greenpeace no Brasil. "Mas a declaração de hoje é a prova de que
eles estão confortáveis com o impasse". Afinal, era de se esperar
que os líderes do G5 forçassem seus colegas a adotar uma posição
mais concreta em relação à ações de combate ao aquecimento global,
impondo metas de redução de emissões e de investimentos para
enfrentar a situação. Aconteceu o contrário. Os líderes do G5
aceitaram subscrever promessas nebulosas.
Lula, em particular, que lidera o país que tem melhores
condições para, num curto espaço de tempo, reduzir suas emissões de
CO2, foi o líder que mais perdeu a chance de brilhar na arena
mundial. Ele poderia ter se comprometido com metas para acabar com
o desmatamento na Amazônia, uma das principais fontes de emissões
do Brasil. Mas escolheu chancelar um texto que, no que diz respeito
à questão de florestas, é tão vago quanto suas promessas de
reduções industrias e de compromissos financeiros.
Limita-se a afirmar que os governos signatários da declaração
darão passos no sentido de reduzir emissões causadas pelo
desmatamento e degradação de florestas, sem dizer exatamente como
pretendem andar neste ponto daqui para frente. "Esta declaração dos
governos das principais economias do mundo mostra que nenhuma delas
evoluiu em suas posições desde seu encontro no Japão, em julho do
ano passado", continua Furtado. "A apenas cinco meses da reunião de
Copenhagem para discutir ações sobre o clima, essa parálise é
preocupante".