As espécies empregadas na fabricação dos instrumentos certificados (marupá, tauari e louro-chumbo, entre outras) têm as mesmas propriedades daquelas mais utilizadas para produção de instrumentos, como cedro e pinho, que encontram-se em processo de extinção.
A Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (Oela) lançou a
primeira linha de produção certificada de instrumentos musicais
feitos com madeira tropical. A certificação do
selo FSC (Conselho para o Manejo Florestal, em português)
garante a procedência manejada da matéria-prima, abrindo uma nova
frente para o uso sustentável da madeira amazônica.
Desde 1998, a ONG promove a formação de jovens em Manaus (AM),
educando e qualificando profissionais da Amazônia na arte da
construção de instrumentos musicais de corda dedilhada. Foram nove
anos de aprimoramento até que a oficina estivesse preparada para
lançar os produtos no competitivo mercado de instrumentos
musicais.
As espécies empregadas pela Oela possuem as mesmas propriedades
daquelas mais utilizadas para produção de instrumentos. A
matéria-prima tradicional, como cedro e pinho, por ser explorada de
forma predatória, se encontra em processo de extinção na natureza.
Breu branco, marupá, coração de negro, pau-rainha, tauari e
louro-chumbo são algumas das madeiras doadas à escola pela Mil
Madeireira, empresa certificada, com sede em Itacoatiara (AM).
"Todos nós somos responsáveis pela preservação e pela manutenção
das florestas tropicais ou não-tropicais, e temos que ter a
responsabilidade de observar a origem da madeira que estamos
usando", diz Rubens Gomes, o Rubão, diretor-geral e fundador da
Oela. "Essa é uma preocupação que não cabe só ao ambientalista, mas
a todos os cidadãos do planeta", complementa.
Segundo Rubão, as peças certificadas estão chegando ao mercado
por cerca de 50% do custo de instrumentos da mesma qualidade. A
oficina tem capacidade para produzir 35 peças por mês.
"Exemplos como o da Oela demonstram que o caminho da Amazônia é
aliar a conservação da floresta ao uso ecologicamente correto e
socialmente justo dos recursos florestais para gerar produtos de
alto valor agregado e de baixo impacto ambiental. O Rubão, que
criou a Oela com imenso sacrifício e dedicação, tem muito o que
comemorar. Além da qualidade técnica e inovadora de seus produtos -
que utilizam sobras de madeiras amazônicas até então não empregadas
na manufatura de instrumentos musicais -, a Oela educa e transforma
em luthiers jovens amazônicos, em geral vindos de famílias de baixa
renda, que encontraram um novo caminho e uma nova profissão",
comenta Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do
Greenpeace, organização que apóia e divulga o selo FSC no Brasil
desde 2001.
A Oela entrega em todo o país e até mesmo fora das nossas
fronteiras os instrumentos da família do violão, como a viola
caipira, o violão de sete cordas, o bandolim, o cavaquinho e o
banjo, incluindo linhas eletroacústicas e de aço para estúdio. De
acordo com a ONG, os preços variam de R$ 800,00 a R$ 2.000,00.
Interessados devem contatar Charlene: (92) 3644-5459 ou
.
Conheça o FSC
Atualmente, os melhores padrões e critérios de manejo florestal
são os estabelecidos pelo FSC (Forest Stewardship Council, ou
Conselho de Manejo Florestal). O FSC é o único sistema de
certificação independente que adota padrões ambientais
internacionalmente aceitos, incorpora de maneira equilibrada os
interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos e tem um selo
amplamente reconhecido no mundo todo. O sistema FSC assegura a
integridade da cadeia de custódia da madeira desde o corte da
árvore até o produto final chegar às mãos dos consumidores. O FSC
oferece a melhor garantia disponível de que a atividade madeireira
ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição de florestas
primárias como a amazônica.
Visite www.fsc.org.br/