Madeireiros cercam ativistas do Greenpeace no oeste do Pará

Notícia - 15 - out - 2007
Eles querem impedir que uma tora de castanheira seja retirada da região e usada na exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia" no sudeste do país.

Tora de castanheira 'sequestrada' por madeireiros do Pará seria usada em expedição itinerante sobre desmatamento na Amazônia

Sete ativistas do Greenpeace foram cercados nesta terça-feira por aproximadamente 300 pessoas no município de Castelo dos Sonhos, no oeste do Pará e estão impedidos de sair da cidade. Dezenas de madeireiros, com oito caminhões, 10 caminhonetes e mais de 15 motos se reuniram em frente à base do Ibama, onde os ativistas do Greenpeace se refugiaram, e tentam impedir que o grupo deixe a cidade com uma tora de castanheira (Bertholletia excelsa), que está sendo transportada para uma exposição da ONG no sudeste do país.

A tora de cerca de 13 metros é parte da exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", organizada pelo Greenpeace, para aproximar a realidade da Amazônia de milhares de brasileiros que nunca tiveram a oportunidade de ver a floresta de perto. A árvore, queimada ilegalmente em terras públicas no oeste do Pará, simboliza a rápida destruição da Amazônia e seria exibida em locais de grande visitação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro para chamar a atenção da população sobre a necessidade urgente de zerar o desmatamento na Amazônia e, assim, contribuir para reduzir as emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. Os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do  Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), já confirmaram presença quando a exposição chegar em seus estados.

O Ibama concedeu a autorização para a coleta, transporte e exposição da castanheira, por entender que se trata de um trabalho com finalidade cultural e educativa, importante para proteger a maior floresta tropical do mundo.  

No início da tarde, cerca de trinta madeireiros e dois caminhões cercaram a carreta que transportava a castanheira, tão logo o grupo chegou à cidade. Os ativistas do Greenpeace conseguiram se refugiar na base do Ibama, onde se encontram protegidos por dois policiais civis, três soldados e um sargento da Polícia Militar e 12 soldados do Exército (incluindo um sargento e um tenente), além de sete agentes do Ibama. Os ativistas estão sem comida e vários caminhões estão bloqueando a saída do local.

"Esse incidente prova que a presença do Estado na região amazônica é débil e não consegue sequer garantir direitos constitucionais básicos, como a segurança e a locomoção das pessoas. Sem governança, a floresta Amazônica continua vulnerável à destruição", afirmou Marcelo Marquesini, do Greenpeace, coordenador da expedição, que está no grupo cercado em Castelo dos Sonhos.

Há duas semanas, o Greenpeace e outras oito organizações não-governamentais apresentaram, em Brasília, um plano de sete anos para zerar o desmatamento na Amazônia.

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