Tora de castanheira 'sequestrada' por madeireiros do Pará seria usada em expedição itinerante sobre desmatamento na Amazônia
Depois de um dia inteiro de muita tensão, os oito ativistas do
Greenpeace que estavam sob cárcere privado em Castelo dos Sonhos,
no oeste do Pará, foram autorizados a deixar a cidade. O grupo fora
cercado na terça-feira por cerca de 300 pessoas e impedido de
trazer uma castanheira para uma exposição no sudeste sobre a
destruição da Amazônia. Os ativistas saíram com escolta da Polícia
Militar apenas até os limites da cidade.
A tora de castanheira, de 13 metros, ficou na cidade e segundo a
prefeitura local será instalada numa praça que está sendo
construída, como um monumento. O caminhão que trazia a árvore para
São Paulo, e fora alugado pelo Greenpeace, foi devolvido a seu
dono.
"Para o Greenpeace, essa tora de castanheira é sim um monumento,
mas da ausência de governo na Amazônia brasileira", afirmou André
Muggiati, da campanha da Amazônia do Greenpeace. "A tora foi
colocada na praça de Castelo dos Sonhos à revelia do Ibama e mostra
que quem manda na cidade são os madeireiros, não o governo
brasileiro. O Greenpeace tinha autorização para tirar a árvore da
região e fazer a exposição, mas foi impedido. Os madeireiros não
têm autorização alguma mas poderão fazer seu monumento."
Os oito ativistas do Greenpeace foram cercados em Castelo dos
Sonhos, no oeste do Pará, por cerca de 300 pessoas, entre
madeireiros, políticos locais e moradores, e impedidos de seguir
viagem até São Paulo com a castanheira. O Ibama havia autorizado a
coleta e transporte da árvore pelo Greenpeace mas suspendeu a
autorização na manhã desta terça-feira por pressão dos
madeireiros.
O Greenpeace pediu ao governo federal uma cópia do documento que
revoga a autorização de transporte da árvore, mas até o momento
nada foi enviado. Ao time de campo, o Ibama comunicou que a
autorização havia sido suspensa e imediatamente ordenou ao
motorista que retirasse a árvore e a devolvesse ao local de
origem.
Em nota divulgada em seu site, o Ibama afirmou que suspendeu a
autorização para não agravar o conflito "entre representantes da
ONG e moradores do município, área onde ocorre uma operação de
fiscalização de desmatamento."
Leia
aqui a íntegra da nota do Ibama.
Clique
aqui e confira o relato de um dos integrantes do grupo de
ativistas do Greenpeace que estava no local.
Em agosto, uma equipe de nove pessoas composta por ativistas do
Greenpeace, indigenistas da Opan e jornalistas franceses
foi expulsa da cidade de Juína, no Mato Grosso, por fazendeiros
e lideranças políticas locais, para que não visitassem a terra
indígena Enawene Nawe. Confira aqui o
vídeo-denúncia que mostra o incidente.
A árvore seria parte da exposição itinerante "Aquecimento
Global: Apague essa Idéia", organizada pelo Greenpeace, para
aproximar a realidade da Amazônia de milhares de brasileiros que
nunca tiveram a oportunidade de ver a floresta de perto. A árvore,
queimada ilegalmente em terras públicas no oeste do Pará, simboliza
a rápida destruição da Amazônia e seria exibida em locais de grande
visitação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro para chamar a
atenção da população sobre a necessidade urgente de zerar o
desmatamento na Amazônia e, assim, contribuir para reduzir as
emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. Os
governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio de Janeiro,
Sérgio Cabral (PMDB), confirmaram presença na exposição em seus
respectivos estados.
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