Em Pimenta Bueno, cidade de Rondônia, observamos um novo padrão de desmatamento: algumas árvores são mantidas para tentar enganar os satélites que monitoram a floresta.
Outros 1.096 km2 de florestas foram desmatados na Amazônia Legal
no mês de maio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), que divulgou nesta terça-feira os dados do sistema de
Detecção em Tempo Real (Deter) para este período, em que 46% da
região esteve coberta por nuvens.
Pelo segundo mês consecutivo, a área de floresta destruída
corresponde ao tamanho da cidade do Rio de Janeiro, terra natal do
Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. No mês anterior, foram
detectados 1.123 km2 desmatados na Amazônia, com 53% de cobertura
de nuvens. O Mato Grosso, mais uma vez, é o campeão do
desmatamento, com 646 km2, sendo que os dados incluem tanto corte
raso como degradação progressiva.
"Não basta ficar discutindo todos os meses se os números
aumentaram ou diminuíram. A principal questão é: o governo está
agindo em tempo hábil, usando os alertas do Deter, para combater o
desmatamento na Amazônia? A resposta é: à parte algumas ações
espetaculares pontuais, o Brasil não tem feito o dever de casa como
deveria", avalia Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia, do
Greenpeace.
Para a organização, o governo precisa enfrentara as principais
causas da destruição da Amazônia, que são de conhecimento de todos:
o aumento da fronteira agrícola, a exploração ilegal e predatória
de madeira, a transferência de população carente para a região (por
falta de um programa eficiente de reforma agrária em outras áreas
do país), a queima da floresta pra a produção de carvão (para
atender as demandas das mineradoras). O elemento comum a todas
estas causas é a falta de governança.
"Enquanto o Brasil não resolver as causas estruturais que
provocam o desmatamento da Amazônia, ou seja, enquanto não
substituir o atual modelo de desenvolvimento baseado na exportação
de mercadorias de baixo valor agregado por uma economia de base
florestal que beneficie as populações locais, aliada à proteção da
floresta, a flutuação do desmatamento continuará a ser notícia",
afirma Adario.
Segundo ele, ao invés de apenas discutir números, a sociedade
também deve cobrar a responsabilidade do governo em zerar o desmatamento da Amazônia o mais
rápido possível.
O Greenpeace destaca que os dados do Deter não são precisos, já
que ele não foi concebido para ser um sistema para medir a área
desmatada. O sistema utilizado pelo Inpe para medir as áreas
desmatadas, desde 1988, é o Programa de Cálculo do Desflorestamento
da Amazônia (Prodes), que utiliza imagens de satélite de alta
resolução, medidas de agosto a agosto. O Deter começou a ser
utilizado em 2004 como um sistema de alerta que tem como principal
propósito apoiar o governo para ações de fiscalização e controle de
desmatamento.
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