Notícia - 2 - nov - 2008
Terceiro fórum europeu da indústria nuclear tenta empurrar usinas caras e problemáticas como solução climática - e não são!
A energia nuclear não pode suprir as necessidades energéticas da
Europa, mas seus defensores têm feito tudo o que podem para
pressionar países a adotarem a tecnologia, mesmo com altos custos e
representando uma enorme ameaça para o meio ambiente. A pressão
continua esta semana, durante o terceiro fórum de energia nuclear
patrocinado pela União Européia que acontece em Bratislava nesta
segunda-feira.
Para o diretor do Greenpeace Europa, Jorgo Riss, "é tempo para
confrontar a verdade sobre a energia nuclear. Sua contribuição para
o futuro das necessidades energéticas da Europa e para combater as
perigosas mudanças climáticas é muito pequena, envolve muitos
custos - e perigos ainda maiores -, e viria muito tarde. O debate
nuclear é uma distração do que deve ser feito hoje no interesse da
proteção climática e independência energética européia."
A Agência Internacional de Energia e a Agência de Energia
Nuclear estimam que mesmo uma quadruplicação da energia nuclear na
Europa até 2050 resultaria em uma mera redução de 4% nas emissões
de gases do efeito estufa, do total de 50% a 80% que é necessário
globalmente para se evitar os piores efeitos das mudanças
climáticas. Essa expansão exigiria investimentos da ordem de 6
trilhões de euros, para a construção de 32 novas usinas nucleares
por ano, de hoje até 2050.
A energia nuclear não é só incapaz de contribuir para a solução
mas também introduz problemas insolúveis como lixo radioativo e
proliferação nuclear.
"Não se pode simplesmente jogar o lixo nuclear para debaixo do
tapete por décadas e então ser surpreendido caso países instáveis
queiram enriquecer urânio em seu quintal. A opção mais eficiente e
realista para enfrentar a questão de segurança energética e as
mudanças climáticas é um sistema baseado em energias renováveis e
eficiência energética", afirma Jan Haverkamp, da campanha de
energia suja do Greenpeace Europa.
O cenário [R]evolução Energética divulgado semana passada pelo Greenpeace,
em conjunto com o Conselho Europeu de Energia Renovável mostra que
as emissões de carbono podem ser cotadas em até 50% até 2050, com
as usinas nucleares existentes hoje sendo desligadas até lá. O fim
da geração de energia por usinas nucleares e o desenvolvimento de
tecnologias de energias renováveis e programas de eficiência
energética daria uma economia de mais de 590 bilhões de euros por
ano em custos de combustível para a economia global.
(Clique aqui para o sumário executivo do
relatório [R]evolução Energética em português, arquivo pdf)
Para ler o relatório na íntegra, em inglês, clique aqui (arquivo pdf, 212 páginas)