Ativista do Greenpeace bota a boca no trompete para acordar alguns governos de países desenvolvidos que ainda não entenderam a urgência que o momento exige para se combater as mudanças climáticas.
Lideranças
de todo o mundo estarão reunidas em Bonn (Alemanha) até o dia 13 de
junho para negociar o conteúdo do acordo climático global que será
fechado em dezembro, durante a Conferência das Partes (CO15), em
Copenhagen (Dinamarca). O grande nó das negociações climáticas tem
sido a posição dos países desenvolvidos em relação às metas de
redução das emissões e ao financiamento para as nações em
desenvolvimento investirem em mitigação e adaptação.
"Estamos
a apenas seis meses do momento em que lideranças de todo o mundo
terão que prestar contas sobre as medidas concretas que seus
governos tomarão para combater o aquecimento global e para que um
acordo forte seja fechado em dezembro, é preciso um esforço global
urgente", diz o diretor executivo do Greenpeace, Marcelo
Furtado.
O grupo
das nações que teimam em não se comprometer com metas mais ousadas
de redução é formado por Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia e
liderado pelos Estados Unidos. "Ao se negar a assumir um
compromisso real de combate às mudanças climáticas, esses países
empurram milhares de pessoas que já sofrem com a pobreza para uma
situação ainda mais miserável, já que os mais pobres serão os mais
impactados pelo aquecimento global", afirma Furtado. A grande
expectativa dessa rodada está na posição que os Estados Unidos irá
assumir.
Política
interna - Em relação ao Brasil espera-se uma política interna
coerente com o que vem sendo anunciado no exterior. "O mesmo
governo que anuncia no exterior um Plano de Mudanças Climáticas
quando chega em casa promove o desmatamento com a dispensa de
licença ambiental para rodovias, privatização da Amazônia por meio
da regularização fundiária e redução da reserva legal na Amazônia",
diz Furtado.
O que
deve ser acordado pelos governantes na convenção de
Copenhague:
• As
emissões globais tem até 2015 para chegaram ao nível máximo, e
devem diminuir rapidamente após essa data, atingindo um valor
próximo a zero até, no máximo, 2050;
• Os
países desenvolvidos precisam reduzir suas emissões em, no mínimo,
40% até 2020. Pelo menos ¾ deste valor deve ser atingido pela
redução das emissões dentro do país, sem compensar as emissões em
outros locais.
• Os
países em desenvolvimento devem reduzir suas emissões entre 15 e
30% até 2020, com o apoio dos países desenvolvidos;
• A
criação de um mecanismo de financiamento para acabar com o
desmatamento e com as emissões associadas em todos os países
desenvolvidos deve ser feita até 2020. As áreas chaves para receber
financiamento desse fundo são a Amazônia, a Bacia do Congo e as
florstas da Indonésia e papua Nova Guiné que precisarão atingir o
desmatamento zero até 2015.