Os membros da CTNBio tiveram nesta
quarta-feira, em Brasília, uma pequena mostra do que pode acontecer
com nossas plantações de milho em caso de uma contaminação genética
da espécie no país.
Do café-da-manhã no hotel ao início da reunião que teriam na
Agência Nacional das Águas para discutir cinco pedidos de liberação
comercial de milho transgênico no Brasil, os membros da CTNBio
tiveram a incômoda companhia de dezenas de 'milhos geneticamente
modificados' - nossos ativistas devidamente caracterizados.
A ação que contou com 60 ativistas do Greenpeace começou às
7h30, no restaurante do Hotel Alvorada, onde os membros da CTNBio
estavam hospedados. Ao descerem de seus quartos para o restaurante,
encontraram 'milhos transgênicos' tomando café, lendo jornais nos
sofás e circulando pelo saguão de entrada do hotel.
Um carro de som foi usado para passar, repetidamente, a mensagem
do Greenpeace e de todos que pedem mais precaução e estudos sobre
os impactos negativos da liberação de organismos geneticamente
modificados na natureza.
Uma das integrantes da CTNBio se exaltou com a presença de
tantos 'milhos transgênicos' e bradou em alto e bom som porque
considerava inútil o protesto do Greenpeace.
"Já está tudo decidido. Vocês não vão mudar nada."
Relatório mostra 10 anos de
contaminações pelo mundo
A 'contaminação transgênica' se alastrou pelas ruas
da cidade, no trajeto que a van dos membros da CTNBio fez do hotel
até o local da reunião. A cada sinal fechado ou tráfego mais
intenso, a van era cercada por inúmeros 'milhos transgênicos' que
circulavam com cartazes pedindo a não aprovação das variedades
geneticamente modificadas.
Ao chegar na Agência Nacional das Águas, por volta das 9 horas
(horário marcado para o início da reunião), os ocupantes da van
receberam cópias do relatório Registros de Contaminação Transgênica - 2006,
que traz informações sobre os 10 anos de problemas causados em todo
o mundo por essa tecnologia.
De 1996 até hoje, foram documentados 142 casos de contaminação
em diversos países, 35% deles referentes a variedades de milho
geneticamente modificados. O relatório será lançado
internacionalmente, em parceria com a rede GeneWatch, do Reino
Unido, na próxima segunda-feira, dia 19 de fevereiro.
"O fato é que a biotecnologia está completamente fora de
controle. Nem as empresas e nem os governos estão preparados para
colocar em prática medidas que garantam a biossegurança do país. Os
membros da CTNBio não podem fechar os olhos para as evidências
contidas nesse relatório, assim como não podem ignorar os mais de
70% dos brasileiros que não querem comer transgênicos", disse
Gabriela.
"O que aconteceu hoje em Brasília é uma representação fiel do
que pode acontecer com o Brasil todo caso o milho transgênico seja
liberado", alertou Gabriela Vuolo, coordenadora de campanha de
engenharia genética do Greenpeace Brasil. "A contaminação genética
no caso do milho é muito grave, e uma vez aprovada, a variedade
transgênica pode aparecer nos locais mais inesperados e indesejados
possíveis. O milho geneticamente modificado é um ser vivo e será
impossível controlar sua dispersão".
O Greenpeace iniciou em fevereiro uma ciberação na qual os internautas enviavam uma
mensagem aos 54 cientistas da CTNBio (27 titulares e 27 suplentes),
pedindo para que não aprovassem as variedades transgênicas e
exigindo o direito de consumir alimentos saudáveis.
Além disso, voluntários de sete capitais brasileiras realizaram
atividades nos últimos dias, exigindo biossegurança e levando
informações sobre a CTNBio para as populações de Belo Horizonte,
Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Manaus, Brasília e
Salvador.
Veja também:
Os principais casos de contaminação de sementes de
milho em 2006