Mercado chinês começa a fechar portas para madeira ilegal da Amazônia

Notícia - 11 - jun - 2007
Denúncia do Greenpeace leva multinacional B&Q a evitar fontes predatórias no mercado chinês. País já consome mais de 10% da madeira exportada da Amazônia brasileira

Vista aérea da Amazônia

 Empresas fornecedoras de madeira ilegal para a China sofreram um golpe com a decisão da terceira maior rede varejista de materiais de construção e decoração doméstica do mundo, a empresa inglesa B&Q, de controlar a origem dos produtos de madeira que comercializa. A B&Q anunciou nesta terça, em Pequim, que irá rastrear fornecedores ilegais para garantir que todos seus produtos vendidos no mercado chinês estejam certificados em três anos.

Dois meses atrás, o Greenpeace revelou que muitas espécies madeireiras vendidas em lojas chinesas de materiais de construção vêm de países onde mais de 80% da extração madeireira é ilegal e predatória, caso do Brasil.

O diretor executivo da B&Q Ásia, Steve Gilman, disse que a empresa iniciou o trabalho para que todos os produtos madeireiros vendidos na China venham de fontes legalizadas. A B&Q também garantiu que, em três anos, todas as linhas de produtos vendidas na China virão de operações florestais responsáveis e ecologicamente certificadas, conforme a política global de aquisições de sua filiada Kingfisher.

"A medida é extremamente positiva para os esforços de conservação da Amazônia porque a China comprou, em 2006, mais de 10% da madeira da Amazônia exportada pelo Brasil. O país é o segundo maior cliente da madeira brasileira, perdendo apenas para os Estados Unidos", diz Marcelo Marquesini, da campanha Amazônia do Greenpeace. Entre 1999 e 2006, as exportações de madeira da Amazônia para a China aumentaram 1300%, saltando de 6,1 mil toneladas para quase 80 mil toneladas. "Porém, a indústria da madeira ilegal no Brasil pode se preparar para perder parte da clientela chinesa, em breve", antecipa Marquesini.

O Greenpeace estima que a ilegalidade da madeira na Amazônia pode chegar a 80%. O governo federal já reconhece que pelo menos 63% desse total é ilegal. Entre a floresta e os portos de exportação, a madeira extraída ilegalmente é legalizada de diversas maneiras.

O diretor de campanhas do Greenpeace China, Lo Sze Ping, disse que "a menos que todas as companhias comercializadoras de produtos madeireiros façam esforços concentrados, como a B&Q, para limpar o mercado de madeira e garantir que o material venha de fontes ecologicamente responsáveis, elas continuarão contribuindo inadvertidamente para o desmatamento global e as mudanças climáticas. Empresas que operam na China têm a obrigação particular de tomar alguma medida porque a China é hoje o maior importador de madeira tropical, e a rápida expansão desse setor vem tendo impacto direto nas florestas do mundo inteiro." Atualmente, apenas um quinto das florestas originais do planeta permanecem relativamente intactas.

A B&Q também anunciou que parou de vender pisos feitos de merbau, nome comum dado a algumas espécies tropicais que crescem na ilha de Nova Guine e estão sob séria ameaça de desaparecer da natureza. "Apesar de nossos melhores esforços para avaliar as fontes dos nossos pisos de merbau, nós somos incapazes de ter certeza absoluta de que ele estava vindo de operações legalizadas", disse Gilman. "Como resultado, a única escolha responsável que nós podemos fazer agora é parar de comprar e vender este produto, mesmo sabendo que ele tem sido historicamente um de nossos campeões de venda."

O Greenpeace está convocando as empresas ao redor do mundo a pararem de vender madeira que venha de fontes ilegais e destrutivas. A organização também exige que os governos eliminem a entrada de madeira ilegal em seus países, e que os países que tenham florestas intactas adotem uma moratória na exploração em escala industrial de madeira proveniente dessas áreas, até a conclusão de amplos e participativos zoneamentos econômicos-ecológicos.

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