Messias do Ibama trouxe más notícias: sai licença ambiental de Angra 3

Notícia - 22 - jul - 2008
O aval técnico do órgão para a construção da terceira usina nuclear brasileira é uma afronta à Constituição Federal e ao contribuinte brasileiro, que pagará os bilhões dessa conta.

Ativistas levaram um grande retrato do presidente do Ibama, Roberto Messias, à sede do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, para protestar contra a concessão da licença ambiental para Angra 3.

Roberto Messias, novo presidente do Ibama, mal chegou e já trouxe másnotícias aos brasileiros: Angra 3 ganhou licença ambiental prévia esuas obras poderão ser iniciadas. Na tentativa de justificar tamanhodescalabro, o governo fez uma lista de 60 condicionantes àEletronuclear, empresa responsável pelo projeto. Mas por mais benéficasque sejam as exigências, como o investimento na manutenção do ParqueNacional da Serra da Bocaina e no saneamento básico de Angra dos Reis eParaty, elas não compensam a construção de uma terceira usina nuclearna região. 

Em protesto contra a má notícia, ativistas do Greenpeace foram à Brasília e colocaram em frente ao prédio do Ministério do Meio Ambiente um grande retrato dopresidente da instituição responsabilizando-o pela desastrosa decisão.

Você também pode protestar, enviando um email ou um SMS para o presidente do Ibama, Roberto Messias. Clique aqui e saiba como. 

Fizemos também nesta quinta-feira um protesto no Rio de Janeiro. Veja aqui como foi.

Veja abaixo o vídeo da atividade no Rio de Janeiro:

"Aprovar o projeto de construção de Angra 3 é um retrocesso para o paíse uma vergonha para o Ibama. Roberto Messias entra para a história comoo homem que assinou a licença de um elefante branco radioativo,e Minc, opositor da energia nuclear, como o ministro que lavou as mãospara o fato", lamentou Ricardo Baitelo, da campanha de energia doGreenpeace.

Além disso, a retomada das obras da usina é uma afronta à Constituição Federal,que exige a discussão e aprovação desse tipo de projeto pelo CongressoNacional, e também uma afronta ao contribuinte brasileiro, que terá seudinheiro investido na opção energética mais cara, perigosa e poluentesem ao menos ter sido consultado a respeito.

Enquanto o programa nuclear retoma seus passos no Brasil, na Europa quem renasce é o fantasma radioativo. Dois vazamentosocorridos em usinas atômicas francesas este mês colocaram em xeque aindústria nuclear do país, tida pelos defensores da tecnologia comoexemplar para o mundo. Os acidentes que provocaram a contaminaçãoradioativa de rios, impedindo o consumo de suas águas, são emblemáticosda falta de segurança da energia nuclear.

Em abril de 2008, oMinistério Público Federal (MPF) em Angra dos Reis encaminhourecomendação formal ao Ibama apontando graves falhas no Estudo eRelatório de Impacto Ambiental  (EIA-Rima) do empreendimento e exigiu aidentificação de um local definitivo para a disposição dos rejeitosradioativos, sem o qual não seria concedida a licença prévia.

Até hoje, o lixo radioativogerado por Angra 1 e 2 vem sendo estocado dentro das usinas, e com aentrada em operação de Angra 3 esse problema deverá se agravar. O IBGEconstatou, em seu relatório sobre "Indicadores de DesenvolvimentoSustentável 2008", constatou que apesar de produzir 13.775 metroscúbicos de resíduos radioativos por ano, o Brasil ainda não temdepósitos finais para encaminhar esse material perigoso.

Com os mesmos recursos previstos para a construção de Angra 3,cerca de R$ 8 bilhões, seria possível instalar um parque de turbinaseólicas com o dobro da potência em no máximo um terço do tempo (2anos), gerando 32 vezes mais empregos.

Saiba mais com o relatório A Caminho da Sustentabilidade Energética.

Dados recentes do Programa de Conservação de Eletricidade(Procel) indicam que cada R$ 1 bilhão investido em eficiênciaenergética gera uma economia de 7.400 MW - ou o equivalente a 5,5 vezesa potência de Angra 3.

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