Ativistas levaram um grande retrato do presidente do Ibama, Roberto Messias, à sede do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, para protestar contra a concessão da licença ambiental para Angra 3.
Roberto Messias, novo presidente do Ibama, mal chegou e já
trouxe másnotícias aos brasileiros: Angra 3 ganhou licença
ambiental prévia esuas obras poderão ser iniciadas. Na tentativa de
justificar tamanhodescalabro, o governo fez uma lista de 60
condicionantes àEletronuclear, empresa responsável pelo projeto.
Mas por mais benéficasque sejam as exigências, como o investimento
na manutenção do ParqueNacional da Serra da Bocaina e no saneamento
básico de Angra dos Reis eParaty, elas não compensam a construção
de uma terceira usina nuclearna região.
Em protesto contra a má notícia, ativistas do Greenpeace foram à
Brasília e colocaram em frente ao prédio do Ministério do Meio
Ambiente um grande retrato dopresidente da instituição
responsabilizando-o pela desastrosa decisão.
Você também pode protestar, enviando um email ou um SMS para o
presidente do Ibama, Roberto Messias. Clique aqui e saiba como.
Fizemos também nesta quinta-feira um protesto no Rio de Janeiro.
Veja aqui como foi.
Veja abaixo o vídeo da atividade no
Rio de Janeiro:
"Aprovar o projeto de construção de Angra 3 é um retrocesso para
o paíse uma vergonha para o Ibama. Roberto Messias entra para a
história comoo homem que assinou a licença de um elefante branco radioativo,e Minc,
opositor da energia nuclear, como o ministro que lavou as mãospara
o fato", lamentou Ricardo Baitelo, da campanha de energia
doGreenpeace.
Além disso, a retomada das obras da usina é uma afronta à Constituição Federal,que exige a
discussão e aprovação desse tipo de projeto pelo CongressoNacional,
e também uma afronta ao contribuinte brasileiro, que terá
seudinheiro investido na opção energética mais cara, perigosa e
poluentesem ao menos ter sido consultado a respeito.
Enquanto o programa nuclear retoma seus passos no Brasil, na
Europa quem renasce é o fantasma radioativo. Dois vazamentosocorridos em usinas
atômicas francesas este mês colocaram em xeque aindústria nuclear
do país, tida pelos defensores da tecnologia comoexemplar para o
mundo. Os acidentes que provocaram a contaminaçãoradioativa de
rios, impedindo o consumo de suas águas, são emblemáticosda falta
de segurança da energia nuclear.
Em abril de 2008, oMinistério Público Federal (MPF) em Angra dos
Reis encaminhourecomendação formal ao Ibama apontando graves falhas
no Estudo eRelatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do
empreendimento e exigiu aidentificação de um local definitivo para
a disposição dos rejeitosradioativos, sem o qual não seria
concedida a licença prévia.
Até hoje, o lixo radioativogerado por Angra 1 e 2 vem
sendo estocado dentro das usinas, e com aentrada em operação de
Angra 3 esse problema deverá se agravar. O IBGEconstatou, em seu
relatório sobre "Indicadores de DesenvolvimentoSustentável 2008",
constatou que apesar de produzir 13.775 metroscúbicos de resíduos
radioativos por ano, o Brasil ainda não temdepósitos finais para
encaminhar esse material perigoso.
Com os mesmos recursos previstos para a construção de Angra
3,cerca de R$ 8 bilhões, seria possível instalar um parque de
turbinaseólicas com o dobro da potência em no máximo um terço do
tempo (2anos), gerando 32 vezes mais empregos.
Saiba mais com o relatório A Caminho da
Sustentabilidade Energética.
Dados recentes do Programa de Conservação de
Eletricidade(Procel) indicam que cada R$ 1 bilhão investido em
eficiênciaenergética gera uma economia de 7.400 MW - ou o
equivalente a 5,5 vezesa potência de Angra 3.
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