Gado deixa rastro em área destruída para a pecuária.
O Ministério Público Federal (MPF) no Pará encaminhou hoje às
redes de supermercados Carrefour, Wal Mart e Pão de Açúcar uma
recomendação para que parem de comprar carne proveniente da
destruição da Amazônia, distribuída por frigoríficos do Pará.
Outros 72 compradores de produtos bovinos também receberam a
recomendação. O descumprimento do pedido pode resultar em multa de
R$ 500,00 por quilo de produto comercializado.
Além disso, o MPF está processando 20 fazendas, o frigorífico
Bertin e outras 10 empresas do setor pecuário que atuam no Pará,
acusadas da impedir a regeneração da floresta amazônica em áreas
desmatadas ilegalmente e que já haviam sido multadas anteriormente.
A ação, no valor de R$ 2,1 bilhões pede a indisponibilidade de bens
dos proprietários, pagamento de multa e indenização, embargo de
qualquer atividade nas áreas de reserva legal e recuperação de 557
mil hectares com reflorestamento ou condução da regeneração
natural. Por terem comprado gado destas fazendas, os frigoríficos e
curtumes serão co-responsabilizados. (Baixe o PDF da ação aqui)
O Greenpeace lançou hoje o relatório "A Farra do Boi na Amazônia" apontando a
relação entre empresas frigoríficas envolvidas com desmatamento
ilegal e trabalho escravo com produtos de ponta comercializados no
mercado internacional. Para piorar, o governo brasileiro financia e
tem participação acionária nas principais empresas pecuárias que
atuam na Amazônia. O frigorífico Bertin é uma das empresas
apontadas pelo Greenpeace como responsáveis pela compra de gado de
fazendas que desmataram ilegalmente a floresta Amazônica,
distribuindo no Brasil e mundialmente os produtos derivados dos
animais.
Os supermercados e empresas notificados também foram solicitados
a implementar sistemas de identificação precisa da origem,
qualidade e legalidade de todos os produtos oferecidos para
consumo, em especial os que tenham utilizado matéria-prima natural,
para garantir que os consumidores tenham todas as informações
necessárias sobre a origem dos produtos.
"Antigamente, era o mercado que definia o que o consumidor
deveria comprar. É preciso inverter essa equação, dando condições
para que o consumidor decida o que o mercado deve vender", disse o
procurador da República no Pará, Daniel Avelino, autor da ação.
"Este processo demonstra a importância das empresas assumirem
sua responsabilidade, deixando a destruição da Amazônia fora de
suas cadeias de fornecimento, implementando sistemas efetivos de
rastreamento que permitam ao consumidor saber de onde vem a carne e
o couro que estão consumindo", disse André Muggiati, do
Greenpeace.