Ativistas do Greenpeace entregam tonel com chocolates da Garoto à sede da empresa, em Vitória. A empresa jamais apresentou atestado de que não usa matéria-prima transgênica em sua produção.
O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu inquérito
parainvestigar o uso de matéria-prima transgênica na fabricação de
produtosda empresa de chocolate Garoto S. A. O inquérito é
resultado darepresentação apresentada ao MP pelo Greenpeace em
março de 2008, apósuma série de atividades durante a semana do
consumidor. Numa delas,ovos de Páscoa da Garoto foram devolvidos à sede da empresa, em
Vitória, dentro de um tonel rotulado com o T de transgênico.
AGaroto tem sistematicamente se negado a mostrar se utiliza ou
nãotransgênicos e seus produtos. No entender da Promotora de
JustiçaLuciana Belo da Silva, "os dados colhidos nos autos até este
momentodão fundamento à representação, bem como à necessidade de
providênciaspor parte desta Promotoria de Justiça".
Segundo Rafael Cruz, coordenador da campanha de Transgênicos
doGreenpeace, a instauração de inquérito Civil "foi um grande passo
paraa transparência da Garoto, e um recado para outras empresas
quecontinuam escondendo dos consumidores sua política de utilização
detransgênicos".
A Garoto está na lista vermelha do Guia do Consumidordo Greenpeace por não
responder às solicitações da organização para queapresentem
documentos que provem a não utilização de soja e milhotransgênicos
em sua linha.
Desde 2004 o Brasil tem uma lei que exige a rotulagem de todo
produtoalimentício fabricado com 1% ou mais de matéria-prima
transgênica.Procurada desde o início da publicação do Guia do
Consumidor (em 2002),a Garoto só se manifestou uma vez, em março de
2008, seis anos depois, mas em sua carta não informou se utilizava
ou nãoingredientes transgênicos para fabricar seus chocolates.
Depois da soja e o milho, agora vem o
arroz
Variedadesde soja e milho são os únicos alimentos transgênicos
aprovados noBrasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) e estãopresentes em diversos tipos de alimentos
industrializadoscomercializados no país. Apesar disso, apenas
algumas marcas de óleosde soja de duas empresas (Bunge e Cargill)
foram rotuladas, e mesmo assim por ordens da Justiça. No entanto, outros
produtos que também usam soja transgênica, como maionese e
margarina, continuam sem o devido rótulo.
Namaior parte das vezes esses alimentos são processados e
transformadosem óleo, lecitina, proteína e amido, entre outros
derivados. Peladificuldade de se detectar substâncias transgênicas
neles, o Greenpeacevem pedindo documentos às empresas que comprovem
a origemnão-transgênica das matérias-primas usadas em seus
produtos.
A história, contudo, pode mudar no caso do arroz, que tem uma
variedade transgênica em pauta na CTNBio, e audiência pública prévia à esta votação
marcada para o dia 18 de março.
Casoseja aprovado, o arroz transgênico terá que ser rotulado,
conformeexige a lei. Os consumidores, então, não dependerão mais
dasinformações fornecidas pelas empresas. Isso porque o arroz é, em
suamaior parte, consumido sem nenhum processamento. Ele vai
diretamentepara o prato do consumidor. Os testes para detecção de
transgenia serãomais acessíveis e o controle e transparência na
utilização devariedades transgênicas estarão ao alcance de
entidades que têm comoobjetivo garantir direitos dos
consumidores.