Área desmatada dentro de fazenda de soja monitorada pelo Grupo de Trabalho da Soja.
O Grupo de Trabalho da Soja (GTS) anunciou nesta segunda-feira
os primeiros resultados do monitoramento de áreas recém desmatadas
em regiões produtoras da soja na Amazônia brasileira, com
evidências de que a atual safra não vem de novos desmatamentos no
bioma. O GTS, que reúne empresas de soja e ONGs, inclusive o
Greenpeace, foi criado para viabilizar a implementação da Moratória
da Soja, anunciada pelas grandes traders do setor em julho de 2006
para combater o desmatamento no bioma Amazônia.
Confira aqui a íntegra do comunicado do
Grupo de Trabalho da Soja.
A moratória da soja é um compromisso da Associação Brasileira da
Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Nacional dos
Exportadores de Cereais (Anec) e suasempresas associadas de "não
comercializar a soja da safra que seráplantada a partir de outubro
de 2006, oriunda de áreas que foremdesflorestadas dentro do Bioma
Amazônico, após a data do presentecomunicado". O compromisso foi
anunciado em 24 de julho de 2006.
O monitoramento foi feito pela Globalsat, empresa contratada
pela Abiove e Anec. Não foi encontrada soja cultivada nas áreas
analisadas. As empresas ligadas à Abiove e à Anec são responsáveis
por mais de 90% da soja comercializada pelo Brasil.
O levantamento aéreo e de campo foi feito com base nos dados do
sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), e se concentrou nos desmatamentos maiores do que 100
hectares ocorridos entre agosto de 2006 e agosto de 2007 nos
estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso - que, juntos, são
responsáveis pela quase totalidade da soja plantada no bioma
Amazônia. Foi também realizado um monitoramento adicional em áreas
desmatadas menores do que 100 hectares em três municípios do Mato
Grosso, que também não encontrou cultivo do grão. A metodologia e
critérios utilizados pela Globalsat foram definidos pelo Grupo de
Trabalho de Soja.
"Sem dúvida, os resultados do monitoramento do GTS mostram que a
Moratória da Soja está sendo respeitada e isso é uma boa notícia.
Porém, os preços elevados da soja no mercado internacional estão
aumentando o apetite dos produtores por mais terras, o que cria um
importante desafio para as empresas comprometidas com a moratória",
disse Paulo Adario, coordenador da campanha da Amazônia, do
Greenpeace.
"O desmatamento da Amazônia voltou a aumentar no segundo
semestre de 2007 depois de três anos de queda e as traders terão de
reforçar seu compromisso com a moratória e trabalhar junto aos
produtores de soja para ajudar a reverter esse processo".
O monitoramento aéreo do desmatamento na Amazônia feito
regularmente pelo Greenpeace confirma os resultados apresentados
pelo GTS, mas Adario alerta para o fato de que muitas áreas abertas
recentemente se encontram dentro ou no entorno de fazendas
produtoras de soja.
"Os produtores serão tentados a produzir e vender grandes
quantidades de soja, tornando a implementação da moratória pelas
traders uma tarefa cada vez mais complexa", disse ele.
TourVirtual:
Clique aqui para verfotos
georreferenciadas do monitoramento feito pelo Greenpeace. Para
visualizar asfotos e imagens de satélite da área é preciso ter
instalado oaplicativo Google Earth. Se você não possui, cliqueaqui para fazer o download.
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